A verdade por trás dessa foto

No primeiro dia do ano, fui conhecer a região do Lago di Garda, na Itália, com meus amigos. Até aí tudo normal.

Em um ato de extrema alegria, postei uma foto.

Que surpresa a minha quando li um dos comentários: começou ruim, né?

Virada de ano sempre foi a minha festa favorita. Nos últimos três anos, dei festas memoráveis em casa, com muita música, bebida, alegria e todos os meus amigos por perto. Anteriormente, passava com meus pais e meu cachorro, muita comida gostosa e abraços cheios de amor.

A virada de 2015 para 2016 não foi nada como eu havia planejado. Com passagem marcada e hotel reservado, fiquei moribunda com uma virose e tive de abrir mão do meu plano inicial: conhecer Milão.

Não entendi o recado que Deus estava me dando, tirando a única oportunidade de virar o ano da forma como eu havia feito nos últimos anos: bêbada e cantando. Mas decidi abraçar a proposta.

Enquanto a minha família adotiva ia passar em uma chácara, longe dos fogos e de tudo que amo em um Réveillon, meu amigo estava polindo talheres com suas lágrimas em um restaurante. Do outro lado da linha, minha família comia delícias, meus amigos estavam alcoolizados há mais de 3h e todo o mundo parecia estar acompanhado.

Passando por uma viela em Mantova, cidade em que acabei indo passar a Virada, encontrei um artesão em seu ateliê.

As portas estavam fechadas, as luzes acesas, e ele costurava. Do lado de fora, a cidade toda dava adeus ao ano velho e fazia a contagem regressiva para a chegada do ano novo. Ele não parecia se abalar.

Foi então que eu entendi.

Lidar com a solidão é um peso para mim. Eu odeio almoçar sozinha e, na primeira vez em que fui ao cinema sem alguém, escolhi a sessão mais vazia do mundo.

Virar o ano sozinha foi um enfrentamento. Qualquer pessoa que tenha visto essa foto deve ter pensado: que sorte, Réveillon na Europa, muito dinheiro, saúde e sucesso. Mas a realidade foi muito diferente. Não tive ninguém para abraçar ou fazer contagem regressiva, muito menos ganhei um beijo de Feliz Ano Novo ou qualquer coisa parecida. Sequer eu era como o artesão, feliz em estar lá, sozinho, sem ninguém para incomodar o seu ofício.

Enquanto caminhava pelas ruas, ouvia os gritos, os abraços, as comemorações e então ouvi todos os desejos de um ano novo feliz, mas, pela primeira vez, eles vieram de mim mesma.

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