Estrategicamente, contra Temer, o discurso do golpe é potente. Aglutina, deslegitima totalmente o adversário, coloca-o no seu devido lugar. Além disso, respeita a soberania popular, algo que nem concepções que suspeitam da democracia liberal deixam de considerar como um valor primordial (que deveria ser aprofundado). Poderíamos usar o discurso do golpe, reunificando o campo hoje destruído em torno do Fora Temer e novas eleições? Poderíamos. Mas existe algo que emperra o debate — e vai manter a esquerda separada nos próximos anos, creio eu. É a volta de Lula. O PT usará — até com legitimidade, admito — usará o discurso do golpe para cacifar na esquerda a candidatura de Lula. Mas os autonomistas não aceitarão mais do mesmo, mais do modelo que já está totalmente esgotado. Ainda antes do impeachment, já advertia que Lula era a figura que paralisava o Brasil na bipolarização. Prevejo que essa fratura permanecerá até 2018.
E agora, José?
Moysés Pinto Neto
10411

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.