Sua vida é espelho para qualquer garoto de periferia. Não se considera músico, mas é papa de um gênero.

DJ PATIFE: “A gente faz o drum’n’bass brasileiro”. Foto: Divulgação

Sua vida é espelho para qualquer garoto de periferia. Não se considera músico, mas é papa de um gênero. Seu nome é sinônimo de drum’n’bass. Wagner Borges é o DJ Patife, entrevistado ideal. Aquele que adora falar. Não à toa. No fundo, ele sabe que sua história passa a integrar os anais da música eletrônica mundial. Fala sem parar. Pede água. E recomeça.

D&B de verve latina: raízes jamaicanas para uma batida criada em Londres perfeitamente adaptada ao território brasileiro. Pioneiro, Patife imprimiu calor e identidade ao gênero. Em cena, incorpora a vibração da platéia. Empatia, envolvimento total.

Podemos arriscar…


Com uma extensa carreira fonográfica, Mário Marques se eternizou como intérprete de “Volta por cima”.

NOITE ILUSTRADA: “Só tenho medo é que o samba perca identidade”. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Ex-lateral-esquerdo, Mário de Souza Marques Filho ainda carrega, aos 73 anos de idade, a mesma elegância que o fazia posar para fotos da esquadra do Comercial do Rio de Janeiro na década de 1950. Com a vida bifurcada entre o futebol e a aspirante carreira de cantor amador, um convite do célebre humorista Zé Trindade para integrar como violonista uma excursão de sua caravana bastou para traçar seu futuro. …


Samba de côco, embolada, toré indígena e poesia de cordel com postura pop.

LIRINHA: “Trouxemos os elementos sagrados da tragédia grega para um ambiente popular”. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Era a primeira entrevista que faríamos com músicos da nossa idade, a maioria, na verdade, mais jovem. Apesar de conhecer o CD, ainda não os tinha visto tocar. Acidentalmente, na noite anterior, vi o grupo em um canal a cabo, fazendo o maior barulho em uma apresentação ao vivo. “A TV prejudica nosso som”, diria Lirinha mais tarde. A mim pareceu tudo certo. Lirinha proferia seus versos com a ajuda das mãos, a banda estava na mesma sintonia e um bumba-meu-boi de olhos alumiados dançava no palco. “Programas de TV não têm microfones”, completou em seguida. …


Um d’Os Mulheres Negras e criador do Karnak e de uma porção de trilhas sonoras, ele quer é destribificar.

ANDRÉ ABUJAMRA: “Se o Tom Zé existe, quem não vai acreditar no ser humano?”. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Já se vão 14 meses desde que baixamos ali na Lapa, num casarão espaçoso, próximo ao trânsito maluco da Cerro Corá, mas com alma de morada do interior. Nesse breve período, três matrimônios gafieirenses foram pro brejo, a trilha de um filme que estava sendo fornida por nosso entrevistado já entrou e saiu de cartaz, conduzindo seqüências de A caminho das nuvens, de Vicente Amorim. Uma peça, na qual respondeu pela mesma posição de trilheiro, regida por seu pai, Antônio, está em cartaz nos palcos da FIESP há semanas. Um daqueles matrimônios sepultados volta a dar sinais de vida. …


Da zona sul paulistana e autor do rap “Us mano, as minas”, ele ganhou projeção nacional após participar de um reality-show.

XIS: “Se eu não estivesse com o rap, não estaria mais vivo”. Foto: Max Eluard/Gafieiras

Choveu em nosso piquenique.

Xis escolheu o Parque do Ibirapuera para a entrevista. Típico cenário paulistano, aonde o Marcelo gosta de levar o moleque e a mina para passearem. Mas era verão e a chuva veio como costuma vir nos fins de tarde dos dias quentes da cidade. Nos agrupamos na marquise, ali achamos um restaurante aberto. O dia já virara noite e um mais cético disse, “Se fosse eu, com essa chuva, nunca que viria”.

“Mas, não é que ele vem?!”, disse o mesmo cético quando a notícia confirmando sua vinda, com um atraso, chegou pelo telefone. …


“O Guitarreiro” começou na jovem guarda e fez história no samba-rock e no reggae.

LUIS VAGNER: “Não sou um artista que conta com o apoio da gravadora”. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

O morro não é alto e nem grande, mas é familiar, quente. Cravado no outro lado do Rio Pinheiros e vizinho ao câmpus da USP, zona oeste de São Paulo, o Morro do Querosene reúne movimentos variados em sua pequena extensão. Bem no centro do morro surge imponente a Igreja Racional, aquela que fez Tim Maia suingar como nunca nos LPs Racional (1975) e Racional Vol. 2 (1976), mas o grande referencial do local é a comunidade maranhense que organiza as festas de nascimento, dramas, aventuras e morte do boi. …


Irreverente, o autor de sucessos gravados por Gal, O Rappa, Bethânia e Camisa de Vênus mescla tradição e modernidade.

Jards Macalé entrevistado no Bar Cu do Padre, no Largo de Pinheiros, zona oeste paulistana, em 2006. Foto: Flávio Serafini/Gafieiras

Parecia mentira, coisa de 1º de abril, mas era a mais pura verdade. Jards Macalé iria fazer dois shows no Villaggio Café, sexta e sábado e, conseqüentemente, ficaria alguns dias em São Paulo. Combinamos então com Zé Luiz Soares, proprietário do Villaggio, de falar com o homem antes do almoço do sábado. Tudo certinho para mais uma entrevista do Gafieiras. Verdade verdadeira em um ensolarado 1º de abril de 2006.

O local escolhido foi o lendário Bar das Batidas (ou Cu do Padre, para os íntimos), mas Jards ficou somente na água e nos aperitivos. A equipe Gafieiras, por outro…


Herdeira de Carmen Miranda e a voz de “Prenda o Tadeu”, a cantora mineira não se encaixa em classificação alguma.

Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

O que se espera de uma entrevista quando o nome é o de Maria Alcina? Que imagens vêm à cabeça? O que sobrou na memória da geração dos trinta e tantos anos que, crianças à frente de qualquer programa de auditório — Bolinha, Barros de Alencar, Chacrinha, Silvio Santos — gargalhavam daquela figura emplumada que cantava e que se saracoteava toda? E as gerações anteriores, contemporânea e predecessoras, será que ainda caminham sobre o barbante que amarrava a MPB setentista com a emergente música brega?

Foi em 2003. Antes mesmo da Mônica Salmaso. Entrevista de meio da tarde, atípica, mas…


Um dos principais produtores de música brasileira, ele é responsável pelo primeiro disco de Cartola e Adoniran Barbosa.

Foto: Thaís Taverna/Gafieiras

Um dos principais produtores de discos do Brasil, João Carlos Botezelli, o Pelão, vive cada vez mais distante da boemia que tanto o inspirou. Um AVC (acidente vascular cerebral) quase o tirou de campo há pouco mais de quatro anos e encoleirou parte de suas paixões: o uísque, as noitadas e o Malboro, que ainda dribla ressalvas e orações.

Nascido em 1942 em São José do Rio Preto (SP) e criado em São Paulo, este filho de italiano deixou de lado os ensinamentos da escola agrícola para se formar com a orquestra de Enrique Simonetti (1924–1978), maioral nos salões dos…


Parceiro de Adoniran Barbosa e Paulo César Pinheiro, ele é referência do samba paulista.

EDUARDO GUDIN: “A música pop vai virando a música brasileira”. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Estava tudo certo para a primeira entrevista do Gafieiras. Bar Paulistano, às 19h30 da quarta-feira, 24 de outubro. “Por favor, aquele que está indo ali é o Eduardo Gudin?”, perguntei desesperado aos manobristas do Paulistano apontando para um homem alto, de camisão preto e cabelos esvoaçantes. “Quem?” Os quinze minutos de atraso foram fatais. No bar não havia ninguém, somente um número de telefone escrito num guardanapo.

Uma das principais referências do samba paulista, Eduardo Gudin é a síntese da romântica trajetória de um artista nos últimos 30 anos. Compositor, violonista, cantor, arranjador, orquestrador, produtor e degustador de polentas, o…

editor do gafieiras

direto da redação

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