(saiu na Época em janeiro/2020)

Na minha primeira tarde em Gondwana, uma reserva de vida selvagem ainda em formação, a oeste da Cidade do Cabo, perto de Cabo Agulhas, fazia frio de um jeito que nunca imaginei fazer no continente africano. Eu estava esquentando as mãos com uma xícara quente de chá rooibos e abri a porta da minha cabana para ver o sol se pôr. Sentei no degrau da frente e fiquei vendo o sol gigante descer devagar por cima da cadeia de montanhas, quando entrou no meu campo de visão um gnu azul, um dos animais que vagam livres pela reserva. Foi seguido por outro e logo eram uns seis gnus, como cavalos gigantes, cinza-azulados, que não tomaram conhecimento de mim, do chalé ou do vapor do chá. De repente uma revoada de pássaros cortou o céu, o zumbido de insetos parou e algo se agitou num arbusto. Os gnus correram pra longe. …

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Gaía Passarelli

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