5 lições em liderança criativa que aprendi na THNK

THNK School of Creative Leadership, Amsterdam (2018)
“If all the walls of your house fall down
what a misery
but what a view”

Saí de uma galáxia para outra. Fui do ponto mais azul do Texas, Austin, onde acontece todos os anos o festival SXSW, para Amsterdam, na escola de liderança criativa THNK. Cheguei na manhã de uma sexta de vento forte, uma sensação térmica de geladeira que não me convidava para ver os prédios baixos e luzes vermelhas do centro, nem sequer para me aconchegar em uma coffee shop. O curso já iniciava no dia seguinte, com aulas que iam das nove da manhã até as dez da noite. Eu quase não vi a cidade.

O curso executivo que estou fazendo tem quatro módulos ao longo de seis meses. A turma que começa junta, termina junta. Na minha classe, a 13a já realizada, tem pessoas do mundo todo, da Costa Rica (meu novo amigo Johan) ao Quênia (minha xará Agatha), do Sudão (o talento do cartum Khalid) ao Haiti (minha peer coach Isa), da Holanda, da Rússia e até do Cazaquistão. E essa tribo global é uma das coisas mais legais da história, mas não só.

Class’13, THNK School of Creative Leadership

São três vertentes de aprendizado:

  • Quest: uma jornada pessoal, para desenvolvermos capacidades de liderança criativa.
  • Endeavor: desenvolvimento de um empreendimento próprio, seja um projeto em incubação ou um que precisa de uma força para escalonar.
  • Challenge: desafio colaborativo entre os participantes para resolver um problema com impacto social global. O foco social da THNK foi um das razões pelas quais a escolhi ao invés de outras de liderança ou um MBA qualquer. A THNK acredita que desenvolver líderes criativos pode ajudar a resolver os grandes desafios sociais que enfrentamos.

O primeiro módulo já traz uma pequena transformação. Quem achava que já sabia de tudo, obriga-se a desaprender. Quem tinha muita certeza de si, é convidado a se desconstruir. Lições que parecem óbvias ganham um novo sentido e o mundo se expande. Continuo em uma viagem interna, absorvendo tudo o que vivi nos sete dias na THNK. E compartilho aqui cinco coisas da escola que quero levar pra vida:

1_O corpo é tão importante quanto a mente
Cada dia começava com um exercício de presença, uma atividade física em grupo, que nos conectava com os nossos corpos. Assim como a mente, o corpo é uma fonte essencial de energia. Foi surpreendente ver o que ele nos dizia nessas seções de presença, em que parávamos para prestar atenção e escutá-lo. Estou longe de virar crossfiteira, mas vou reservar momentos do meu dia para prestar mais atenção ao meu corpo e cuidar melhor dele.

2_As nossas vulnerabilidades nos unem
Todo mundo tem partes quebradas dentro de si. Alguns conseguiram juntá-las e colá-las de um jeito bonito, outros empurraram pra debaixo do tapete e fingem que tá tudo bem. Mas são essas partes que quando compartilhadas também ajudam a nos conectar com o outro, ver além do cargo de CEO, dos projetos de sucesso, das roupas descoladas, e encontrar um ser humano como qualquer outro. Lembro de me achar a pessoa mais burra da sala nos primeiros dias. Aprendi a ver o valor na diversidade de cada um, inclusive na minha, e descobri no último dia, que todo mundo achava o resto da sala muito mais legal.

3_Olhar para todo o sistema para hackear o sistema
Essa é uma lição mais prática do conteúdo das aulas. Para resolver o desafio de impacto social, exploramos todos os pontos do sistema da indústria da moda, a 2a mais poluente do mundo. Olhar para todas as suas pontas e desenhar suas inter-relações de influência e poder descortina um universo. E acima de tudo, ajuda a revelar potenciais ideias e conexões que uma rotina atarefada de prazos curtos, como é a minha em publicidade, acaba deixando de lado. Ser capaz de ver o todo e as partes é essencial para liderar qualquer projeto.

4_O valor do feedback
Durante todo o período, são diversos os momentos em que paramos para nos olhar por diferentes ângulos e olhos. Além dos exercícios em que somos convidados a nos dar feedback uns aos outros, ganhamos três coaches no curso. O primeiro é o de liderança que ajuda no quest pessoal. Tem hora que parece terapia, mas mais do que vasculhar o passado, a minha coach tem me ajudado a observar o presente e focar nas áreas que quero e preciso desenvolver. O segundo é o do endeavor, que ajuda a desenvolver o seu projeto pessoal ou profissional. E o terceiro é o peer coach, alguém da sua turma de quem você também se torna couch. São três parceiros que dão luz ao momento em que estamos, estimulam a abraçar as vulnerabilidades e belezas que temos e não deixam que a gente perca foco do porquê estamos ali.

5_Be humble, stay focused
Há momentos em que a gente se sente confortável e acha que já sabe de muito e viu de tudo. Na THNK, eles nos convidam a suspendermos os julgamentos e estarmos aberto para repensar as certezas, a pedir ajuda, a abrir os sentidos. Mas é preciso balancear esses momentos de completa abertura e livre exploração com os de convergência e foco no propósito. Ter clareza nos objetivos e no que se busca, ajuda a seguir adiante quando tudo parece complexo e difuso demais. Para fazer a diferença no mundo, é preciso ser humilde, mas se manter focado.

Bônus: Encontre sua tribo
Voltei há uma semana e já sinto saudades dos meus colegas de turma, pessoas que me ensinam, me dão força e expandem meu mundo. De volta a São Paulo, muitas perguntas difíceis continuam sem respostas, os textos que preciso ler seguem intocados, e as incertezas se somam. Mas agora tenho uma nova família espalhada pelo mundo, uma nova base para me suportar. Encontrei um lugar para onde voltar quando me perder.