James Rodríguez não pode ser apenas uma opção para Zidane

Estrela colombiana é a luz que falta ao Madrid em determinadas partidas em que se torna desnecessária a presença de Casemiro.


Por: Caio Cesar

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Com apenas seis jogos disputados até aqui na temporada, quatro deles pela La Liga, um pela Champions League e outro pela Supercopa da Europa, podemos dizer que a primeira dor de cabeça de Zinedine Zidane tem nome, sobrenome, muitos gols e muitas assistências no Real Madrid. James Rodríguez não só permaneceu na capital espanhola após o fechamento da janela de verão europeia, como vem lutando bravamente para retomar seu status de titular na equipe comandada pelo eterno camisa 5 merengue.

Trata-se de uma questão bastante complexa porque inclui, além do colombiano, um jogador incontestavelmente competente na função que exerce, um treinador que já é lenda no clube pelo o que fez como jogador e que com sucesso vai trilhando seu caminho na nova função e, acima de tudo, uma ideia de jogo que vem se mostrando confiável, seja pelas 16 vitórias consecutivas até aqui na La Liga, seja pelo título da última Champions. O 4-1-4-1 de Zidane repele James Rodríguez e atrai Casemiro. Ou seja, não há uma disputa entre jogadores pela vaga, mas sim uma justificável insegurança por parte de Zizou que impede a mudança do sistema tático da equipe em determinadas partidas, como a da quarta-feira passada (14), frente o Sporting Lisboa.

Evolução de Zidane como treinador

Por ter sido um jogador que marcou época no próprio Real Madrid, podemos não nos dar conta que Zidane sequer completou um ano como treinador do clube, o primeiro de sua carreira (sem contar o Castilla). É, portanto, natural que ele opte por um sistema que já lhe rendeu resultados consideráveis e que relute em adotar um plano B.

Acontece que torna-se necessário um plano B quando estamos jogando no Santiago Bernabéu contra uma equipe bastante inferior tecnicamente, como a do Sporting. Com Casemiro à frente de nossa zaga, nos protegendo, ao invés de termos James à frente da zaga deles, nos ajudando ofensivamente, fomos inferiores aos comandados de Jorge Jesus e isso poderia nos custar caro, como uma desnecessária segunda colocação ao final da fase de grupos (uma vez que estamos disputando a liderança com o Borussia Dortmund).

É claro que a dificuldade não se deu apenas pelo sistema "padrão" adotado por Zizou. Mas abdicar de um jogador com a qualidade de James numa partida como essa por questões exclusivamente táticas é algo que pode, e deve, ser evitado.

James é diferente

Não estamos falando de um jogador qualquer. Estamos falando de um jogador com números impressionantes, de gols e assistências. O colombiano, aliás, desafogou o Madrid de Zidane no último domingo (18), quando inventou um gol nos acréscimos do primeiro tempo da partida frente o Espanyol, em Barcelona, abrindo assim o placar para os merengues.

Vindo do banco, nesta temporada, James já colaborou com duas assistências. Mais do que nas nove partidas da temporada passada em que enfrentou as mesmas circunstâncias sendo já comandado por Zidane.

Os números de James no Real Madrid apontam que ele precisa de 98 minutos para marcar um gol ou dar uma assistência. Luka Modric, Toni Kroos e Isco estão longe de tal eficiência: o croata precisa de 348 minutos, o alemão de 249 e espanhol, de 169. Mesut Özil e Di María precisavam, respectivamente, de 105 e 100 minutos para marcarem ou assistirem. Zidane precisava de 177.

Ou seja, não estamos falando de um jogador qualquer.

Coragem para mudar

Mudar um sistema de jogo é complicado porque demanda uma sincronia nova de movimentos. No 4-1-4-1 os wingers Cristiano Ronaldo e Gareth Bale, no fundo, sabem que não precisam voltar até a linha de fundo porque Casemiro estará lá, ajudado por Modric e Kroos. Mas no 4-2-3-1 (possível esquema que incluiria James) a história é outra. Tanto o colombiano, quanto o galês precisariam recompor de um forma rápida para formar a segunda linha defensiva, assim como acontecia na época de Carlo Ancelotti, quando conquistamos a Décima, se lembram? Era um 4-2-3-1 que variava para o 4-4-2 quando o time não tinha a bola. Tal sistema requer bastante treinamento e colaboração das estrelinhas de nossa equipe.

Aqui entra também uma segunda questão: compensaria? A entrada de James Rodríguez, por mais talentoso que seja, compensaria a execução de um novo sistema de jogo?

Eu diria que sim. Em determinadas partidas, aquelas em que o adversário é muito inferior tecnicamente, um jogador a mais de criação no meio-campo pode facilitar a vida de todo mundo, até a do próprio Zidane, pois, com mais chances de gol criadas, maiores são as chances de gols serem marcados, assim sendo, substituições tranquilas na segunda parte poderiam ser realizadas, e não entradas desesperadas de jogadores buscando a vitória. Sem contar que a dupla Kroos/Modric poderia ficar um pouco mais recuada para não abrir o time completamente, já que James estaria lá no ataque dando sua contribuição ofensiva de maneira mais efetiva. Ademais, se a situação pedir um maior poder de defesa, nada impede Casemiro de entrar no lugar do próprio James para formar o 4-1-4-1 novamente.

Futebol é estratégia. E Zidane deve, como treinador do Real Madrid, analisar o adversário para colocar a melhor equipe e o melhor sistema no campo de jogo.

Exemplo na guerra

Voltando um pouco no tempo, em julho de 1942, União Soviética e Alemanha guerreavam pela posse da cidade de Stalingrado. Foi a maior e mais sangrenta batalha da história. O exército alemão, comandado por vocês sabem quem, parecia não ter adversários à altura e quis porque quis tomar até a ex-aliada URSS. Mas uma curiosa estratégia soviética funcionou e a Alemanha de Hitler acabou sucumbindo.

O líder da União Soviética, Josef Stalin, decidiu armar uma contra-ofensiva, já que estava só se defendendo até então, em novembro de 1942 e contou com um velho conhecido para isso: o inverno russo. Desgastado pela batalha que vinha travando com os resistentes soviéticos e também pelo clima desfavorável, sem os suprimentos necessários e com aliados húngaros, romenos e italianos mal preparados, o exército alemão acabou cercado e finalmente derrotado pelo Exército Vermelho, que contou com a força dos "aliados" para realizar tal feito.

Ou seja, Stalin nos mostrou que às vezes não adianta você querer dar o melhor para tentar conquistar a vitória. É preciso pensar além, pensar numa estratégia que melhor se adequa a situação para surpreender e deixar o adversário sem defesa.

É claro que tal atitude, a de resistir até chegar o inverno (pensada ou não), custou muitas vidas de civis inocentes. Trata-se de uma guerra, afinal. Sem falar que a ideia política de Stalin é bastante criticável, etc. Mas foquemos apenas na lição que a famosa batalha de Stalingrado nos passou.

James é luz que o Madrid precisa em determinadas partidas

Em determinadas partidas, precisamos adotar a estratégia que melhor se adpte ao adversário. Não adianta querer colocar nosso melhor time, ou nosso melhor sistema, se o adversário já vem preparado para isso. Ou melhor, pode até adiantar porque temos jogadores especiais. Mas as coisas podem ficar mais fáceis com o talento de James.

Assim como fez Thomas Edison e tantos outros notáveis inventores, precisamos utilizar da lei de "James" para dar luz ao nosso jogo coletivo.

No caso, Edison utilizou a lei física "Joule", que tem esse nome por causa de James Prescott Joule, para criar a primeira lâmpada incandescente comercializável do mundo, em 1879. Zidane pode, e diria até que precisa, utilizar a "lei de James" para criar uma nova maneira do Real Madrid jogar. Não precisa ser algo inédito, mas algo tão eficiente e prático quanto o ascender de uma luz.

Que seja James Rodríguez a luz do Madrid.


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