Por que Mbappe ou Hazard?

Evolução tática natural de Cristiano Ronaldo e o possível interesse pela dupla parece distanciar ainda mais a figura de Gareth Bale do Real Madrid

Às vezes as coisas estão tão claras…

Por: Caio Cesar

Bom, primeiramente é preciso dizer que não há qualquer informação concreta sobre uma possível saída de Gareth Bale do Real Madrid. O que existe, de fato, é somente a confirmação de que Eden Hazard escutaria uma proposta do time merengue. Todo o resto é especulação, como, por exemplo, a que saiu ontem no jornal Record, de Portugal. Segundo tal periódico, Mbappe teria pedido a titularidade e € 15M anuais (seria o segundo maior salário do clube) para fechar com o atual bicampeão europeu.

Ainda segundo o que se especula, qualquer uma das duas transferências quebraria o recorde (€ 105M) da transação de Paul Pogba da Juventus para o Manchester United. E sabemos que Florentino Pérez gosta dessas coisas.

Se Kylian Mbappe vale € 135M (valor que se especula) só o tempo vai dizer. Eu tenho a mesma opinião do comentarista Vitor Sergio Rodrigues, do Esporte Interativo: só é loucura se o clube paga mais do que pode pagar. Ou seja, se o Madrid tem esses € 135M e quer utilizá-lo para adquirir o francês do Monaco, por exemplo, que seja. Cada qual com suas responsabilidades.

Pois bem, dito isso, vamos para a parte que verdadeiramente importa. Por que a contratação de Hazard ou Mbappe afastaria ainda mais Gareth Bale do time de Zidane?

Geralmente a torcida do Real Madrid é intolerante demais com os jogadores do clube; não é o caso com Gareth Bale

Recapitulando e contextualizando, Zidane não tá nem aí pra nome, pra valor de jogador, pra qualquer coisa extra-campo. O que ele quer mesmo é que o time jogue bem, mesmo que para isso seja necessário colocar James Rodríguez no banco e promover a titularidade incontestável de Casemiro.

E, como sabemos, o Real Madrid tem mudado seu estilo de jogo, muito por conta da evolução tática, física e técnica de Cristiano Ronaldo. Se antes o 4–3–3 era um esquema tão sólido quanto a titularidade do camisa 7 português, hoje vemos que as coisas mudaram ou, pelo menos, estão mudando.

Com a ascensão impressionante de Isco, um novo estilo de jogo surgiu em Valdebebas: o 4–3–1–2. Passamos por cima da Juventus jogando assim. Aí vocês devem estar se perguntando: mas o que mudou?

Mudou tudo. Mudou o que tinha que mudar. E melhor: mudou naturalmente.

Percebendo um Cristiano cada vez mais atacante do que ponta, e aproveitando-se da habitual indisponibilidade de Gareth Bale, Zidane passou a escalar Isco como um, digamos, “camisa 10 moderno”.

Jogando à frente de Modric e Toni Kroos e atrás de CR7 e Benzema, mas sem posição fixa, Isco foi um dos principais jogadores do Real Madrid na temporada, Cristiano brilhou nos momentos decisivos e os laterais passaram a ser mais protagonistas do que coadjuvantes, uma vez que, sem pontas, o corredor fica livre para que eles ataquem; tanto Marcelo, quanto Carvajal são excelentes nisso.

Mesmo com esse cabelo aí, Isco salvou nós no Calderón

Desta forma, Gareth Bale fica meio deslocado, uma vez que no Madrid ele só sabe atuar, bem, pela ponta — muito mais a direita do que a esquerda.

Portanto, seu retorno ao time titular acabaria com tudo isso, com todo esse sistema novo de jogo, sem contar que forçaria a presença de Isco no banco de reservas — algo que eu, realmente, não quero nem pensar que seja possível de acontecer. E o Madrid, aparentemente, também não. Mbappe explica isso.

Marcou em Buffon com apenas 18 anos…

Com apenas 18 anos de idade, o francês brilhou na Liga 1 (15 gols e 8 assistências em 29 jogos) e na Champions League (6 gols em 9 jogos). Driblador, rápido, fazedor de gols… Um estilo muito parecido com o de Gabriel Jesus. Vocês devem saber. E um “substituto” ideal para Karim Benzema, ou até mesmo para Cristiano — que agora não joga mais todas as partidas da temporada.

Jogando dentro da área (forward centre) na temporada passada, que rendeu o título do fracês ao seu time, Mbappe marcou 19 vezes e deu outros 4 passes para gols em 20 (!) jogos, segundo os números do WhoScored. Benzema, na mesma região do campo, terminou 2016/17 com 14 gols e 5 assistências em 35 confrontos; Cristiano, 15 gols e 4 assistências em 17 partidas disputadas. Claro, temos o dever de relevar muitas coisas nesses números; uma dessas coisas é que estamos falando de um cidadão que nasceu em 1998.

Com a provável saída de James, camisa 10 do Real Madrid ficaria sem dono, viu, Hazard?

Falando agora de Hazard, por mais que a negociação, segundo o que se especula, tenha esfriado.

O belga joga uma barbaridade há muito tempo. Mas seu potencial já me parece ter sido (bem) explorado em sua totalidade e por isso mesmo vejo como difícil seu nível de jogo aumentar. Até porque ele já tem 26 anos (ponto para Mbappe?).

Além disso, Hazard é muito mais meia-atacante do que atacante. Seria uma contratação muito mais para aumentar ainda mais o nível do elenco, principalmente de nosso meio-campo — uma vez que James deve mesmo deixar o clube — , do que qualquer outra coisa. A, sempre hipotética, contratação de Mbappe diria muito mais sobre o futuro do time; a de Hazard não faria tanta diferença neste sentido.

No 4–3–1–2 que Zidane me parece querer implementar, Hazard atuaria exatamente onde atua Isco; mas o belga também poderia formar uma dupla de ataque com Cristiano em caso de ausência de Benzema. O camisa 10 do Chelsea fez 18 partidas como ponta esquerda em 2016/17 e outras 2 como atacante de área; Isco, só a nível de comparação, não atuou em qualquer uma das duas funções no mesmo período.

Acredito muito mais na contratação, ou pelo menos no interesse, do Madrid por Mbappe do que por Hazard pelos motivos acima. Mas qualquer um dos dois afastaria Gareth Bale dos 11 iniciais, a menos que o galês se reinvente.

O Real Madrid parece ter deixado no passado aquele 4–3–3 com dois pontas mais estáticos. Hoje o time é mais móvel, mais moderno, e aparentemente Cristiano mudou de posição dentro de campo; isso, claro, causa um impacto em todo o restante da equipe, e esse impacto talvez tenha colaborado em muito para o surgimento do 4–3–1–2. Eu torço por isso.

Álvaro Morata, que tem um estilo muito mais de centroavante do que atacante, já parece ter decidido deixar o clube, o que de certo modo reforça essa ideia do 4–3–1–2. O tempo vai dizer o que Zidane e o que Florentino planejam para o futuro; de qualquer forma, ruim não tá.

Hala Madrid!

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