Sobre — Paternidade

Hoje, dia 12 de agosto, dia dos pais, aos 31 anos, depois de uma piada de um amigo sobre a possibilidade desse ser o meu ultimo dia dos pais sem que eu ganhe presente, me peguei pensando sobre paternidade. Tipo aquelas chamadas do Globo Repórter “Pais, quem são? Como vivem? O que comem? Quando dormem?”. E aquele medo todo de ser pai que sempre tive, triplicou quando comecei a raciocinar sobre a minha situação, o que eu poderia oferecer para uma criança, o que eu poderia ensinar, como eu o sustentaria. Afinal, eu estou literalmente fodido.

Mas eu respirei fundo, e comecei a pensar nas possibilidades. Antes de qualquer coisa eu precisaria de uma mãe. E quando eu penso nisso, inevitavelmente me veio o nome e a imagem da minha “ex” à cabeça. Afinal, vivi mais que a ultima década ao lado dela. Sempre que esse assunto apareceu na minha cabeça ela estava ali. E hoje, ainda mais cedo, tivemos uma conversa bem delicada, com momentos acalorados que me faz ter cada vez mais a infeliz certeza de que de que a mãe não será ela. Dói, é triste, pois ainda não consigo deixar de nutrir os meus melhores sentimentos e relação a ela.

Mas eu não sou santo e muito menos defensor da moral e dos bons costumes. Ultimamente eu liguei o “FODA-SE” lindamente, tenho conhecido várias mulheres em um curto período de tempo (…é eu sei! Mas o Tinder realmente funciona! E funciona bem!). E cada uma delas se mostra mais interessante que a anterior, tem sido muito divertido e pode ser que alguma dessas venha ser a mãe do meu filho (confesso que tem umas 2 ou 3 que eu realmente espero que não). Aí então eu percebi uma coisa, independente da mãe, o pai sou, ou serei eu. E quando essa hora chegar, o que eu vou fazer?

E veio muita coisa na minha cabeça, muita coisa boa, alguns medos e algumas idéias idiotas sobre como eu fotografaria meu filho caracterizado como os meus ídolos ou ensinando os palavrões mais cabeludos que conheço ou usar ele como pretexto para visitar uma loja de brinquedos e me divertir muito mais do que ele lá dentro. E a coisa foi fluindo e eu continuei pensando, pensando e pensando até a hora que eu percebi que o pânico que eu tinha no começo desse raciocínio já não me assustava mais.

Em tempos onde se discute aborto, mas não abandono parental, eu me dei conta de uma coisa simples. Eu não tenho motivos pra me preocupar, sei que não vou fugir. Pelo contrário eu vou dar sempre o meu melhor, ainda que seja o meu pior momento. Sei que será a minha prioridade, não existirá nada que me afastará ou me impedirá de fazer o que eu devo fazer. E como eu sei disso? Simples, já vi isso tudo acontecer, eu tenho pai!

Isso é o que ele me ensinou. Na verdade acho que aprendi mais com os erros do que com os acertos dele. Pois era aí que ele se mostrava! Ele revertia, mudava, renovava, mas nunca parava, nunca desistia. Ainda que seja difícil ele se mantém em movimento. É o tipo de cara que apanha mais não cai de jeito nenhum. Ainda que eu o critique e brigue com ele eu me espelho inteiramente nele, cometo até os mesmos erros que ele! Talvez na segurança de ter aprendido com ele como transformar o erro em aprendizado e sair do problema um homem maior do que era quando entrei. Adversidade, sempre foi um “parente” próximo, por isso o que ele não me ensinou é desistir, fraquejar. Por pior que seja a situação, mesmo que o fundo do poço esteja grudado aos meus pés ele me ensinou a olhar pra cima e começar a subida.

Ele me faz uma pessoa diferente, eu sou muita coisa boa e outras ruins também, mas se tem uma coisa que eu não sou é comum. E isso veio dele! “Ain Betinho, então você é especial!?”. Não! Ninguém é! Mas ele me criou de uma forma única! Afinal que pai deixa seu filho pilotar uma moto aos 6 anos, ou dá cavalinho de pau com ele dentro do carro por diversão. E eu nem comecei a falar das bombas (to falando que eu não sou normal! Tenho pra quem puxar).

O fato é não sou covarde, não sou irresponsável, não fujo dos problemas e muito menos abandono quem eu amo. Tenho certeza que eu seria ou serei um pai muito foda! Afinal eu tive um professor muito bom! Não tiro os créditos da minha mãe! De maneira alguma, ela é tão guerreira quanto meu pai. E me criou e educou ao lado dele. Sempre fizeram isso juntos! Mas aquele bordão “Meu pai, meu herói!” sempre foi verdade. Ainda que por muitas vezes eu tenha dito o contrário. Em cima dele que eu construí o que eu sou.

Depois disso tudo, eu até gosto da idéia desse ser meu ultimo dia dos pais sem presente!

Feliz dia dos pais!