A goleada da Premier League
Se um dia você já assistiu a um jogo do campeonato inglês, deve ter percebido que os eventos envolvendo o futebol daquele país transcendem o esporte. São espetáculos, que geram empregos, têm muitas libras evolvidas e atraem os olhares do mundo todo. Isso tudo tem atraído também as atenções não só de aficionados por futebol ou poderosos patrocinadores, mas de milionários interessados em comprar seu próprio time e abocanhar parte dessa renda.
Mas antes de analisar o atual momento do futebol inglês é essencial uma retomada histórica. Para chegarmos até o Taylor Report precisamos contextualizar a violência que existia no esporte por lá. A Inglaterra convivia com verdadeiras guerras entre suas torcidas desde a década de 60, sustentada pela ação dos hooligans. Os clubes ingleses acabariam fora das competições europeias durante cinco anos após um primeiro desastre: a Tragédia de Heysel, no dia 29 de maio de 1985, na Bélgica. O segundo evento foi o ápice do caos. Em 15 de abril de 1989, ocorreu o triste e famoso Desastre de Hillsborough.

Taylor Report
Como a situação ficou insustentável e este era um gigantesco problema social, o governo precisou intervir. O Estado implementou uma busca pelos culpados do ocorrido, e Peter Taylor foi o responsável por investigar os desastres que manchavam o esporte – por isso o nome do relatório citado anteriormente. Dentre os principais apontamentos gerados, destaque para os grandes motivos do mal-estar sobre o jogo de futebol: Campos antigos, instalações em péssimo estado, excesso de bebida, hooliganismo e ausência de líderes.
A partir deste relatório foi tomada uma medida drástica pelo governo, o qual obrigava os clubes a reformarem seus estádios incluindo apenas lugares com assentos, instalação de sistemas internos de vídeo, além de eliminar fossos, alambrados ou qualquer separação entre o clube e o gramado. Em contrapartida o Estado se comprometia em ser extremamente rigoroso com os torcedores criminosos. Como resultado, os clubes fizeram financiamentos para reformas e isto lhe ofereceu uma nova realidade, onde o controle total das ações nos estádios levava torcedores-consumidores aos eventos.
Após as adaptações impostas pelo governo serem colocadas em prática, em 1992 nascia a Premier League. Essa nova realidade imposta pelas reformas estruturais físicas e de controle do negócio por parte dos clubes e do governo criava um novo ambiente, com um público entusiasmado e pronto para consumir este novo produto.

Polpudas cotas de TV
Quando analisamos as cotas de TV na Premier League, o campeonato mais rentável do planeta, compreende-se perfeitamente o porquê dos clubes ingleses estarem no topo das listas de exemplos de gestão. Vamos aos números… Da receita absoluta, 50% vem da cota de transmissão, dividida igualmente entre todas as equipes, 25% de acordo com a classificação final e 25% através do número de partidas exibidas na televisão. O acordo está em vigor desde o início deste formato da competição.
Aqui no Brasil, o Flamengo é o clube que mais recebe com cotas de TV: R$ 110 milhões. No inglesão, quem menos ganhou ao final da temporada foi mesmo o lanterna. Na última edição foi o Cardiff City, com “míseros” 62 milhões de libras (R$ 231 milhões). Sem querer comparar com o futebol brasileiro, mas situando o leitor em relação aos valores, essa comparação chega a soar como piada quando vemos a grana jogada fora pelos grandes clubes do país.

É inegável que os ingleses conseguiram transformar a Premier League em um produto extremamente rentável. Como sempre exaltamos como filosofia da Gama Gestão de Imagem, uma imagem forte é uma imagem legítima. E o trabalho feito em cima da recuperação do futebol inglês é exemplar. Mas dentre todos esse retornos positivos, há algum ponto fraco? Sim, ingressos cada vez mais caros acabam afastando uma fatia considerável do público apaixonado por futebol. Mas como em muitos bons produtos, alguém sai perdendo. Resta saber quem perderá nesse caso. Pelo jeito não serão os clubes. Mas isso já é assunto para um próximo post.
Por: Bernardo Krebs