DryWorld conhece o Brasil (?)!

A empresa canadense desembarcou aqui neste início de ano e já está agitando o mercado. Firmando parceria com três importantes clubes — Atlético-MG, Fluminense e Goiás — e esboçando planos audaciosos, as polêmicas também começam a figurar no cotidiano da companhia.

Desde que foi noticiada a possibilidade da DryWorld assinar contratos com clubes de futebol no Brasil e assim iniciar suas operações como fornecedora no esporte, ficamos instigados e empolgados para acompanhar de perto tudo isso. O Canadá está longe de apresentar grande apelo neste esporte, a empresa é jovem (nasceu em 2010) e foi fundada por dois ex jogadores de rúgbi, e sua penetração no mercado se deu por acordos com atletas da NFL e CFL - ligas americana e canadense de futebol americano, respectivamente. Produtos? Chuteiras e luvas de neoprene, visto que os fundadores sentiam falta de um material de alta qualidade que alia-se conforto e qualidade, proporcionando assim um melhor desempenho na prática esportiva.

O crescimento da empresa foi muito rápido, e em pouco tempo ela já abraçava novos esportes como o futebol, MMA e boxe. Como toda novata em sua área, a DryWorld precisou mostrar criatividade para encarar os novos desafios que o crescimento repentino a trouxe. Se rotulando como ‘independente’, ela foge da competição ferrenha com potências mundias como Nike, Adidas e Puma, mas mesmo assim as novas oportunidades criaram um cenário curioso. Com a necessidade de atender os pedidos crescentes dos consumidores mas sem recurso para isso, a empresa apelou para um caminho nada usual: o crowdfunding. Isso mesmo, a companhia levantou US$ 100 mil diretamente do seu consumidor para auxiliar na produção de 9 mil peças que estavam atrasadas!

Financiamento coletivo e até ironia pra cima da Nike! Foto: Reprodução|DryWorld

Polêmicas

A canadense se mostrou ousada e agressiva na entrada no mercado brasileiro. Desbancou a Adidas no Fluminense após 19 anos de relacionamento entre a empresa alemã e o clube carioca. Já na assinatura de contrato com o Goiás, a antiga fornecedora — italiana Kappa — se mostrou perplexa ao saber da novidade pela imprensa e afirmou em nota oficial que vai buscar seus direitos na Justiça, pois tinha contrato vigente até 2017 com o clube. Em ambos os casos as quantias investidas pela canadense não foram divulgadas, mas é afirmado que os valores superam de forma consistente os antigos contratos.

O grande foco da empresa sempre foi o Galo. O time mineiro é considerado o grande embaixador da marca no Brasil, e esta parceria é a maior da história do Atlético em termos de investimento financeiro. Na apresentação do atacante Robinho, grande contratação do time para a temporada, foi apresentado o uniforme reserva que será utilizado em 2016. O anúncio do jogador ocorreu por meio de um tweet do presidente atleticano:

Inúmeras notícias dão conta de uma parceria entre o jogador e a empresa, mas nada foi confirmado. O agradecimento do presidente gera ainda mais pauta para este assunto. Fato é que a canadense foi importantíssima para a contratação.

Os grandes fatos desta nova parceria aconteceram nesta segunda feira, na apresentação oficial dos uniformes do Galo para a torcida e imprensa. Um grande evento foi realizado, com o apresentador da Rede Globo (e torcedor atleticano) Chico Pinheiro como mestre de cerimônia.

Acusações e contrato vitalício

A grande festa contou com muitos modelos desfilando os uniformes de jogo, treino e passeio. Porém, contou também com modelos enroladas apenas em bandeiras e vestindo biquínis. Além disso, as modelos que desfilaram com as camisas de jogo as utilizaram sem nada, além do biquíni e chuteiras/tênis, causando um enorme desconforto em grande parte da torcida. Nosso objetivo é analisar o desempenho das marcas no esporte, e não vamos entrar em questões de natureza social.

Desfile de lançamento dos uniformes. Foto: Repdrodução | Atlético-MG

Obviamente, logo após as primeiras fotos do desfile aparecerem teve início uma grande discussão nas redes sociais. Torcedoras atleticanas se sentiram menosprezadas, e na mesma noite o blog do torcedor atleticano no site ESPN contava com um post escrito por 21 torcedoras do clube.

Sobre a eventual beleza das roupas, algo que sempre movimenta as redes nessas horas, o debate ficou de lado. O torcedor estava (e ainda está) preocupado em debater como o clube permitiu que a empresa reforçasse esta ideia. Vale ressaltar que em meio a tanta discussão, um erro interno causou desconforto extra para a empresa: nos EUA algumas etiquetas apresentam a frase “Give it to your wife” (entregue a sua mulher), e camisetas com esta frase foram entregues para parte do público presente.

Esse evento causou grande desconforto nos envolvidos, e possivelmente a relação que parecia iniciar de forma maravilhosa já cria pontos de vista muito distintos. O clube afirma que não é machista, e a empresa mantém o mesmo discurso. Porém, o diretor comercial da DryWorld no Brasil, Valquírio Cabral, eximiu a empresa canadense de qualquer culpa:

Estamos vendo a repercussão do desfile nas redes sociais e fomos pegos de surpresa, essa é a verdade. Vimos no Twitter, no Facebook, mas independentemente de pedir desculpas, gostaríamos de esclarecer que quem fez o desfile foi o Atlético, isso foi organizado pelo Atlético, e soubemos na hora. Não foi algo planejado por nós.

É possível que este fato mostre para a canadense como é importante ter um relacionamento muito cuidadoso com clubes de futebol, principalmente se você está iniciando este modelo de negócio no Brasil.

Mas também podemos ressaltar uma ação muito legal, e talvez inusitada, por parte da empresa. Com o anúncio do novo uniforme também foi divulgado quem será o novo atleta patrocinado, e assim Embaixador, da marca. “Robinho!!!” você deve ter pensado… Não, ainda não há nenhuma informação concreta nesse sentido. Dá uma olhada no jogador que fechou contrato vitalício:

O Menino Maluquinho! Sim, Luan foi o escolhido pela empresa para sua nova e importante etapa na ampliação de mercado. Segundo Claudio Escobar, presidente da marca canadense, o atleta apresenta o DNA da marca.

“Esta parceria nasce com sinergia dos valores de Luan e da DryWorld, e isso serve como exemplo para os jovens brasileiros, que nunca devem parar de sonhar. Sabemos que com ele iremos crescer e juntos alcançaremos o Brasil e o mundo”

O site Goal.com tem um material especial, onde conta toda a história do atleta. Vale a pena conferir o material e saber como o extracampo conta pontos para decisões estratégicas neste mercado. Leia aqui.

Próximos Passos

Como o título deste texto se propõe a causar um questionamento, realmente vamos acompanhar o desenvolvimento de toda essa história da novata canadense no mercado nacional. Alguns erros cometidos por ela certamente ocorreram pelo fato de não ter um conhecimento profundo do novo mercado, mas isso é normal. Sim, quando falamos de uma empresa ‘independente’ que não tem medo de correr grandes riscos, erros dessa natureza são normais. Mas ao mesmo tempo que um erro surge, um grande acerto também pode nascer. Quem diria que Luan teria contrato vitalício com uma empresa esportiva já neste ano?

É muito importante que a gente, que analisa este mercado, considere todas essas questões. A empresa está investindo muito em um período delicado da nossa economia, e vamos tentar avaliar toda a complexidade deste cenário no decorrer dos anos e parcerias que seguem. Uma coisa é certa: teremos muitas novidades nesta nova história!