Rio 2016: como os vencedores brasileiros chegaram ao OURO?

Os Jogos Olímpicos Rio-2016 terminaram neste domingo. Mesmo abaixo da meta de 20 medalhas estabelecida pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), a delegação brasileira superou Londres-2012 e levou sete medalhas de ouro. Surpresas, confirmações e redenções estão entre as histórias das conquistas do Brasil, e vamos falar sobre cada uma delas!

Rafaela Silva — Judô

O primeiro ouro olímpico para o Brasil veio da capacidade de superação da atleta Rafaela. Superando o insucesso na olimpíada de Londres e os ataques racistas, a judoca manteve o foco nos treinamentos e se preparou muito para a conquista.

Destacamos o papel fundamental do trabalho social desenvolvido pelo Instituto Reação, projeto de inclusão social por meio do esporte e da educação em comunidades carentes do Rio de Janeiro, idealizado por Flávio Canto. Medalhista olímpico (bronze em Atenas-2004) e atualmente comentarista da rede Globo, Flávio contagiou o público com a sincera emoção nas lutas da Rafa. Na hora da entrevista após a vitória que rendeu o primeiro ouro brasileiro, Flávio e Rafaela se encontraram na frente das câmeras para selar o ápice do trabalho muito bem desenvolvido em conjunto.

Thiago Braz da Silva — Salto com vara

Mais um Silva a colocar o verdadeiro brasileiro no topo do esporte mundial. Repetindo a batida e verdadeira história da superação no esporte, Thiago superou o melhor atleta de sua modalidade e atingiu sua melhor marca, batendo recorde olímpico, na disputa que lhe rendeu o ouro. Jovem (22 anos) e com um futuro muito promissor, o garoto conta com a estrutura da Marinha Brasileira. Ele representa um extenso grupo de atletas que representa a nação com o apoio das Forças Nacionais, como o Exército também faz em várias modalidades.

Robson Conceição — Boxe

Róbson é baiano e chegou ao ouro na atmosfera que representa toda a sinergia que os jogos estão trazendo aos ambientes de disputa no Rio: torcida cantando, vaiando adversários e idolatrando novos queridinhos da mídia. Nascido na comunidade Boavista de São Caetano, em Salvador, Robson se desenvolveu graças ao projeto “Campeões da Vida”, comandado por Luiz Dórea, treinador responsável por elevar a qualidade de trocação de atletas do UFC e ser o treinador de Popó, Rodrigo Minotauro e Junior Cigano.

Hoje, Robson segue o caminho de Dórea. É voluntário em um projeto que ensina o esporte para jovens e adultos da comunidade de Boa Vista de São Caetano, na periferia de Salvador. São mais de 120 crianças atendidas, e o projeto já começou a receber mais doações após a medalha conquistada.

Martine Grael e Kahena Kunze — Vela

Martine (E) e Kahena.

Martine e Kahena fizeram história nas águas da Baía de Guanabara. Elas ganharam uma medalha de ouro inédita na vela, na classe 49er FX, na Rio 2016. Foi o primeiro ouro feminino brasileiro nesta modalidade, na história das Olimpíadas. Diferente de muitos outros esportes, os atletas da vela normalmente vêm de um seleto grupo, muitas vezes até familiares. É o caso de Martine, primeira filha de um campeão olímpico a repetir o feito. Seu pai, o velejador Torben Grael já ganhou dois ouros, uma prata e dois bronzes.

Alison e Bruno Schmidt — Vôlei de Praia

Alison “Mamute” e Bruno “Mágico” Schmidt

Depois de levar a prata ao lado da lenda Emanuel, em 2012, Alison voltou a uma decisão olímpica com Bruno Schmidt como parceiro. A dupla bateu os italianos Nicolai e Lupo por 2 sets a 0 e conquistou o ouro. Contando com a estrutura completa da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), os atletas brasileiros chegam às Olimpíadas com todo suporte necessário para brigar por medalha. Mas esse ouro tem um componente especial: Bruno Schmidt. Com ‘apenas’ 1,85m, Bruno quase abandonou o esporte por ser baixinho. Mas contou com apoio incondicional dos familiares e hoje é reverenciado como o “mágico”, parceiro ideal para Alison e seu apelido de “mamute”.

Futebol masculino

O sexto ouro brasileiro certamente era o mais aguardado, e talvez por isso o que empregava maior pressão sobre os atletas. Mesmo ostentando o posto de seleção mais vitoriosa da história do futebol, nunca o Brasil havia subido ao lugar mais alto do pódio. Depois de um começo muito ruim, o time se encontrou, jogou bem e bateu a Alemanha na final, nos pênaltis. E quis o destino que o gol do ouro fosse marcado pelo símbolo máximo da seleção: Neymar!

Walace, Gabriel Jesus, Neymar, Gabigol e Rafinha

Vôlei Masculino

Serginho é cercado pelos companheiros

Diferente do futebol, o vôlei parecia seguir caminho inverso. Bicampeão Olímpico, o time de Bernardinho não vencia um torneio há anos, e teve suas atuações muito contestadas. Precisou de uma partida de vida ou morte contra a França na primeira fase, para carimbar a vaga na 4ª colocação.

A partir daí, ganhou moral, voltou a ter a postura de campeão e assim foi até a final. Na decisão, aplicou 3 sets a 0 na Itália fez toda torcida brasileira se emocionar com o primeiro ouro de 11 dos 12 atletas que ali estavam. Só um deles foi bicampeão olímpico: Serginho! Da infância humilde à glória, Serginho enfim se despediu da seleção com “somente” dois ouros e duas pratas… fenômeno!

A importância cultural

A mensagem que os Jogos deixam para o brasileiro é aquilo que o esporte tem de mais bonito. O respeito pelo próximo, o foco e o esforço pela busca do objetivo, a superação e o poder da comunicação entre povos. Uma miscigenação cultural que faz um país gigante como o nosso sorrir mesmo atravessando forte crise política e econômica. Reflexo disso nos ouros. Da humilde Silva do judô, à elite Grael da vela.

O rico e o pobre se abraçando para ajudar um atleta ou uma equipe que é uma extensão do grito pela mudança. O momento que os problemas se tornam menores, e o dever de cumprir uma missão melhora os dias de todo um povo. Talvez os esportes de massa que encerraram nossa participação puderam expor tudo isso. As conquistas do futebol e do vôlei, com choros engasgados e sinceros de Neymar e Serginho, refletiram a luta constante e o poder da coletividade.

E a torcida vibrando e aplaudindo Alemanha e Itália mostra que o exemplo do esporte pode colaborar para a civilidade. Vamos continuar torcendo para que jogos mudem vidas, e continuem embalando o sonho de milhares não só no Rio, mas no país inteiro!