O ser humano é um animal social. Somo-lo há muitos anos. As redes sociais, as nossas redes sociais, datam de há milénios antes do Facebook. Há muitos anos que percebemos que somos mais fortes juntos, seja para caçar mamutes, para edificar pirâmides, construir impérios, arrasar muros, derrubar regimes.
Malta que se dá, que socializa, podemos dizer, são “sócios”. Ora estes sócios, interdependentes, formam uma sociedade. Etimologicamente, é daí que vem o termo [1].
Estamos programados para viver juntos, para partilhar. Partilhamos o nosso corpo, a nossa comida, o nosso abrigo, o nosso conhecimento. Este espírito fica ainda mais forte quando temos um inimigo ou ameaça em comum, seja uma fera, uma tempestade, um clube de futebol ou um vizinho filho-da- mãe.
No dia-a-dia temos muitos exemplos disso. Se encontramos uma boa promoção no supermercado, é normal ligarmos aos amigos para averiguar se estarão interessados em aproveitar também. Se encontramos uma Operação STOP, trocamos sinais de luzes com os outros condutores. Hoje, já não precisamos de partilhar lanças ou técnicas de caça. Partilhamos o que tem mais valor: o conhecimento.
O que é que isto tem a ver com o céu? Tudo.
Venderam-me o céu como o melhor dos sítios. Aquelas fotos que a malta colocou nas redes sociais alusivas aos locais onde passaram férias? Esqueçam! O céu é muito melhor que isso. Dizem. O céu já era espectacular mesmo quando o catecismo era a preto e branco.
Para ir para o céu é preciso, em primeiro lugar, estar morto. Depois, como se isto não bastasse, é preciso ter parecido morto quando se estava vivo e não ter feito asneira nenhuma ou pelo menos, nenhuma muito grave. É claro que há sempre a possibilidade de nos confessarmos e de nos arrependermos, blá, blá, blá. Bom, não me querendo alongar neste ponto, o ponto é que o céu não é para todos, mas mesmo assim, desde o início e perdoem-me a inexactidão mas não consegui apurar desde quando é que estão a aceitar pessoal, já lá devem estar bastantes almas caridosas. Ora, se aquilo é assim tão bom, como é que ainda ninguém disse nada à malta? Não era preciso muito. Uma confirmação bastava. Algo tão simples como “Portem-se bem que isto existe mesmo e é bacano.”
Não. Este vazio é a prova de que não existe nada do género. Não há um post, uma selfie, uma groupie, um checkin no Foursquare (sim, eu sei que agora é Swarm), uma foto no Instagram ... Enfim, nada.
Há malta que sabe disto e ainda goza com os crentes. Certamente são maus católicos. Ainda há dias vi um post de uma amiga onde se lia “Estou no paraíso!”. Abri a foto. Afinal, eram só as pernas dela na praia. Só, não. Não eram só as pernas. Não era mau, mas confesso que não era o que eu estava à espera.
Bem, agora fiquei a pensar … céu e paraíso serão a mesma coisa? Caramba, aparecem umas pernas e fico logo todo baralhado! Não volto a escrever sobre religião!
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