A mais bela Flor

Cheguei à Saúde sóbrio de febre. Não tinha ideia de quantos graus, apenas queimava. Os olhos reproduziam a sensação de uma gota de colírio em uma caixa de areia seca. Não, não era conjuntivite. Não tinha sujeira. Era puro ardor; olhos platinados em chamas. Então, veio a primeira tossida e soou como um recuo tímido de calibre trinta e oito para p corpo. A visão embaça, a Alma treme. A primeira golfada depois da tossida. O que é isso? Dry wall no teto da boca? A sensação a cada vez que engolia, relembrava o meu acidente. A cara batia contra o chão, repetidas vezes e sem som, trocando os filtros. A porta. A liberdade, a originalidade do ar. Passos apressados e pessoas preocupadas. O funil na escada corrobora a comunicação de massa no transporte público. As pessoas estão se amontoando. 3, 2, 1 e desvia. Se esquiva um pouco mais à frente no circuito e direciona o corpo para a farmácia, na saída direita. De repente, a Flor. Loucura por conta da febre ou aparição? Já estava delirando? Tão perfeita em feições, exibindo o clássico conjunto bordô. Uma cor poderosa para a Flor. A sedução era transcendental, baiana da roda de Ogum. Assim como aparece, em súbito, se despede com o sorriso escondido.

Querida, vá em paz.