
cidade grande
Sep 3, 2018 · 1 min read
Na cidade grande, o relógio é o seu inimigo e a multidão lhe chama de qualquer um.
A gentileza se torna um capital, alguns têm de sobra, enquanto outros penam para conseguir.
Os cotidianos paralelos são os mais ricos e expressos em olhares cansados, preocupados e, às vezes, alegres.
A cidade não lhe pergunta sobre a sua vida pessoa, mas lhe julga no primeiro soslaio despreocupado.
A privacidade, entregue aos ratos e protegidas por fiações beirando o céu, está aberta a quem quiser ler.
Numa metrópole como essa, as paixões são platônicas e os romances superficiais; os transeuntes fogem do coração, assim como se desvencilham das contas mensais.
Cidades grandes são espelhos do ego, engordurados de vaidade e soberba.
