cidade grande

Gabriel
Gabriel
Sep 3, 2018 · 1 min read

Na cidade grande, o relógio é o seu inimigo e a multidão lhe chama de qualquer um.

A gentileza se torna um capital, alguns têm de sobra, enquanto outros penam para conseguir.

Os cotidianos paralelos são os mais ricos e expressos em olhares cansados, preocupados e, às vezes, alegres.

A cidade não lhe pergunta sobre a sua vida pessoa, mas lhe julga no primeiro soslaio despreocupado.

A privacidade, entregue aos ratos e protegidas por fiações beirando o céu, está aberta a quem quiser ler.

Numa metrópole como essa, as paixões são platônicas e os romances superficiais; os transeuntes fogem do coração, assim como se desvencilham das contas mensais.

Cidades grandes são espelhos do ego, engordurados de vaidade e soberba.

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