O brilhantismo decadente de BoJack Horseman


Eu duvido que BoJack Horseman seja sua primeira opção enquanto House of Cards carrega. É inegável o nível de qualidade que as produções originais da Netflix tem nos apresentado até agora, mas a premissa de BoJack varia entre contrastes: ou você fica curioso e arrisca ou passa para a próxima atração segura (cuidado, eles podem te indicar Dexter). Indiferente a primeira impressão que deixa, Bojack é uma série única; engraçada e extremamente crítica à sociedade e ao crescimento humano. A verdade é que asérie de animais falantes está mais próxima de Californication (Showtime) do que de Simpsons (FOX).

A semelhança com a produção da Showtime também é vista em sua abertura — que, mesmo sendo totalmente diferente do flash de imagens de Hank, possui o enigmático e ardente tom de vida de L.A, nos trazendo uma nostálgica sensação de filme conhecido. Com um roteiro despretensioso e preenchido com referências atuais, chama a atenção por conseguir equilibrar seu humor autêntico com uma linha dramática interessante. Se o início da série parece tender direto à comédia, a construção bem feita da história e dos personagens nos leva à episódios mais complexos e, sim, completos.

A história nos apresenta a vida de Bojack Horseman, uma semi celebridade que está em decadência e não consegue superar seu trabalho de maior sucesso, uma sitcom embalada ao clima dos anos 90. A série começa quando ele precisa escrever uma autobiografia e contrata Diane para o ajudar, o que leva a um resgate de sua história e dos personagens participantes dela. Assim, seu passado um tanto quanto babaca, retorna para ser enfrentado.

Nos vemos refletidos em sua canalhice autêntica

É uma crítica a sociedade disfarçada de uma sátira à Hollywood. Vomita diferentes clichês na mesa, apresentando soluções autênticas para suas próprias tramas. Os comentários contemporâneos são próprios de uma material feito sobre medida para um público alvo específico — e aqui um salve à Netflix, que nos possibilita essa segmentação. O humor é tão bem aplicado, que por vezes parece que todo o “universo do twitter” foi expandido para uma narrativa constante.


“Só quero fazer que todos me amem”

Nos vemos refletidos em sua canalhice autêntica. Sua redenção, que talvez nunca chegue, é uma esperança de que também não sejamos tão sujos e fracos como o show aparenta. Que, na forma de humanos representados por cavalos, nossos atos tenham justificativas. Provavelmente não, mas isso é preciso descobrir enquanto os créditos da primeira temporada rolam em tela.


Texto originalmente postado em: Suco de Limão

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