Eu vejo nos teus olhos enrugados, pelo tempo, enquanto olha para a juventude, o encontro do outrem, da reflexão sobre os anos que se passaram até o dia de hoje. O pensamento foge rápido, depois de tanto anos nessa terra, você imagina como foi sua juventude, o casamento, o funeral de teu pai, e depois o enterro do teu filho.
Vamos pelo início, nasceu por acaso como a maioria dos brasileiros, filha de homem que passou a vida trabalhando com vendas, filha de uma mulher que lutou pela sobrevivência do próprio negócio. Aos 10 já tinha duas mãos, e com elas segurava o mundo ao seu redor, a separação dolorosa dos pais, o nascimento da irmã à alguns anos atrás, que agora caia sobre sua responsabilidade. Enquanto a mulher saia pela cidade, e o homem estava por alguns canto também. Pensou, pensou que a situação ia melhorar; a separação terminaria e poderia curti sua infância, brinca, pular, ver tv, coisas de crianças . Mas nao, nao, isso nao aconteceu, a separação terminou, mas tua irmã, pedia uma mãe, e está cabeu a voce ser, cabeu a ti, aos 12 ser a mãe, tendo a infância sequestrada pela responsabilidade, tendo que molda tuas ações para a criação dela. Você pensava que isso acabaria rápido, mas na real perdurou por mais 6 anos, até entrar na faculdade.