Fleetwood Mac — Rumours (1977)

Nota: 4,4/5

A década de 70 pode ser considerada uma das épocas de ouro da música em geral. Seja com a explosão do rock progressivo, hard rock, heavy metal e outros gêneros, esses espaço na história é um deleite para os ouvidos dos aficionados por música.

Uma das milhares que explodiu, definitivamente, foi o Fleetwood Mac. A banda anglo-america já estava na estrada havia 10 anos, com alguns álbuns de qualidade, como Mystery to Me (1973) e o auto-intitulado (1975), este último já com a nova formação, considerada clássica, que já contava com Mick Fleetwood (bateria), Christine McVie (teclado e vocal) e John McVie (baixo), sendo adicionados Lindsey Buckingham (guitarra e vocal) e Stevie Nicks (vocal).

O casal entrou para o grupo em 1974, descobertos por Mick após a audição do álbum Buckingham Nicks, de 1973.

Com a adição dos 2, o grupo havia gravado, até o dado momento, seu álbum de maior sucesso. Fleetwood Mac alçançou o 1º lugar nas paradas americanas, vendendo cerca de 5 milhões de cópias.

Mas um episódio no meio do caminho foi o fator fundamental para as composição e o sucesso posterior do 11º álbum de estúdio do grupo: a separação. Dupla.

O ano era 1976. Turnê de divulgação. O casal McVie se separa após 8 anos de relação, passando a trocar palavras apenas para discutir sobre o material do álbum que estava por vir. Buckingham e Nicks estavam em infindáveis indas e vindas, que acabaram por se encerrar paralelamente com o casal já citado.

Ao longo de quase 40 minutos do álbum, as ‘trocas de indiretas’ tornam-se muito mais claras a cada faixa reproduzida.

O álbum se inicia com Second Hand News. Liderada e escrita por Buckingham, a canção trata sobre um relacionamento que terminou recentemente e que se torna, como diz o próprio título, “notícias de segunda mão”.

Em seguida, temos a canção assinatura da banda. Dreams é o 2º single do álbum e o único da banda a ser nº 1 da Billboard nos EUA. Escrita por Nicks, a faixa se destaca por seu belo vocal e o envolvente ritmo, liderado pela bateria de Mick Fleetwood. Ao longo de seus mais de 4 minutos, Nicks proclama sobre superar um término de relacionamento e seguir em frente (Well who am I to keep you down? / It’s only right that you should / Play the way you feel it).

Segue-se com Never Going Back Again, uma curta faixa acústica, onde Buckingham se lamenta sobre nunca mais ser o mesmo depois do término.

Don’t Stop se destaca por ser a 1ª faixa no álbum a ser cantada por Christine McVie…. e mais uma tratando-se sobre término/superação. 3º single do álbum.

Go Your Own Way é outro clássico do Mac presente no álbum. Com o vocal liderado por Buckingham e acompanhamento de Nicks no refrão, a música trata sobre, ADIVINHEM????? Como o próprio título sugere, seguir o próprio caminho (How can I ever change things / That I feel?). Foi o 1º single do álbum.

Songbird fecha o lado A do LP. Composta apenas pelo piano e vocal de Christine, com letra da mesma, deixa na entrelinhas o que o “pássaro cantante” diria para seu ex-marido (And the songbirds are singing / Like they know the score / And I love you, I love you, I love you / Like never before). Possui um bela versão do ex-Red Hot Chili Peppers, John Frusciante.

O lado B abre com outro clássico: The Chain. Única faixa do álbum creditada à todos os integrantes, tem os vocais divididos entre Nicks, Buckingham e Christine. Marcada pelo bumbo ao longo da canção, toda a banda parece “soltar” toda a raiva na letra com seus versos mais que diretos (Damn your love / damn your lies). A canção terminar de forma épica, com destaque para o baixo de John McVie e a guitarra de Buckingham. Durante um show de 2010, Florence + the Machine fez um interessante cover para a canção.

Em seguida, You Make Loving Fun, 4º e último single, uma clara influência da música disco da época, e I Don’t Want to Know, voltando ao tema central do trabalho (Love keeps right on walking down the line / I don’t want to stand between you and love / Honey, I just want you to feel fine).

Oh Daddy, escrita por Christine, foi uma homenagem à Mick Fleetwood, considerado o “pai” da banda (curiosamente, já era pai de 2 filhas na época). Outro fato curioso sobre a canção é que, durante um tempo, foi nomeada como Addy, devido a uma falha técnica. O produtor da banda, Ken Caillat, cometeu um erro durante a reprodução de um dos takes:

“Estávamos indo para fazer alguns overdubs, e enquanto rebobinava a fita, uma fita de oscilador portátil caiu na máquina, enviando-o em ‘roda livre’. Os carretéis estavam girando fora de controle. Eu pulei na máquina para pará-la — e bati a fita! Ouvimos lá de trás e lá estava: ‘Oh addy’. O ‘D’ de Christine do vocal fora cortado — meu coração afundou”

O álbum encerra com a misteriosa Gold Dust Woman. Faixa mais longa do álbum, com 5 minutos. Se inicia com o vocal leve de Nicks, crescente ao longo da canção. Uma metáfora logo no início sobre “cavar a própria sepultura” em relação ao amor, preenchida ao longos dos versos (Shatter your illusions of love / Is it over now, do you know how? / Pick up the pieces and go home).

Com esse álbum, a banda escreveu seu nome na história da música. Não a toa, Rumours é um dos álbuns mais vendidos até hoje, com aproximadamente 40 milhões de cópias. Em 1998, foi lançado um álbum tributo produzido pela própria banda, com artista influenciados pelo Mac, casos de Goo Goo Dolls e The Cranberries. Mesmo lançado há 40 anos, nota-se que ainda é uma clara influência para bandas atuais, como a já citada Florence + the Machine. Um álbum essencial para o fã de música ou, pelo menos, para ser ouvido com carinho e atenção.