
Casulo
De dentro desse casulo
Me protejo do ódio e da decepção
Da ignorância e da arrogância
De pensar saber o que os outros são
Lá fora o vento sopra
O frio invade minha proteção
Me recolho mais, me anulo
Imprenso a cabeça contra o coração
Me falta respiração
Ah, se eu pudesse!
Ser borboleta que por aí passeia
Livre como toda criatura deve ser
Aproveitando as flores
E o ar puro
Sem medo de se esconder
Ah, quem sabe um dia
Eu possa respirar forte
E de vez romper esse casulo
Que me angustia, que me faz sofrer
Ah, quem sabe um dia
Eu possa a liberdade aproveitar
Ser borboleta que voa sem se intimidar
Da vida o melhor poder aproveitar
E de toda angústia me livrar
Enquanto isso, eu enlouqueço
No silêncio do casulo, adoeço
Da cabeça e do coração
Que só querem a vida aproveitar
Que só querem do silêncio se livrar
E de verdade poder viver
