Sobre as expectativas dos outros

Nos últimos meses, estive refletindo sobre uma decisão importante que eu precisava tomar. Não lembro de um único dia em que os prós e os contras de cada caminho que eu poderia seguir não invadissem a minha mente sem pedir licença. A verdade é que fui adiando a decisão por muito tempo, com o objetivo de causar o menor impacto possível nas pessoas ao meu redor.

Sim, eu me sacrifiquei, perdi algumas noites de sono e a concentração em tarefas simples do dia a dia, visando não decepcionar os outros. Não digo isso com orgulho. Também não sei se faria diferente. O fato é que eu cheguei a uma posição. No entanto, poucas horas antes de comunica-la aos envolvidos, ainda me pego pensando se não estou sendo egoísta ou não me importando com as pessoas.

A situação em questão não envolve ofensa ou dano a alguém, que fique claro. Basicamente, encerrarei o cumprimento de um compromisso assumido no início do ano e que, por diversas razões, resolvi não renovar por mais um período.

Finalmente, percebo que não. Não estou sendo egoísta. Estou apenas me colocando em primeiro lugar, buscando a minha felicidade e meu bem estar, algo que todos nós deveríamos fazer aqui na Terra. Não estou sendo irresponsável, não estou deixando de cumprir nenhuma responsabilidade que assumi. Talvez eu esteja decepcionando pessoas que colocaram determinadas expectativas em mim e é aí que mora o ponto crucial da questão: eu não posso controlar as expectativas que os outros depositam em mim. Principalmente, se eu não insinuei ou dei margem para que as pessoas acreditassem que eu fosse fazer o que elas esperavam ou imaginavam. Quantas vezes eu já não me decepcionei com os outros, com planos que eu criei envolvendo outras pessoas, por minha própria conta e risco?

A verdade é que eu não posso sacrificar os meus sonhos e a minha saúde mental, preso em uma situação que não me faz bem, apenas por medo de desagradar alguém. A gente não pode esperar nada das outras pessoas, nem reciprocidade (por mais duro que seja pensar isso). Nós somos os únicos responsáveis pelos destinos dos outros que a nossa própria mente cria, como se fossem personagens de um livro escrito por nós. Cada um escreve a sua própria história. O que podemos fazer é respeitar a vontade do outro, desde que ela não esteja agredindo ou desrespeitando ninguém. E prestar mais atenção na nossa própria história.