É do Peru!

Fui assistir àquela porcaria do jogo Brasil X México, no estádio do Palestra Itália, e antes quis provar comidinhas do bairro da Água Branca. Onde será que fica o da Água Preta? Continuando, sentei num lugar na Rua Padre Chico (que, em alguns guias aparece como Padre Chicó — não sei por quê), para apreciar os talheres da cozinha peruana, visto que ela emergiu para o mundo de uns anos para cá. O Peru ganhou destaque na gastronomia mundial através do ousado restaurante Central, que faturou o título de melhor restaurante da América do Sul e o 4º melhor do mundo na listagem da revista britânica Restaurant. Sem contar com as soberbas casas da cidade de Osasco, que sem dúvida são “hors concours” na culinária “galaxial”. Não interessa, que se f… os osasquenses — será que é isso, para quem nasce no moderníssimo município, cercado por lindos alpes, que agora no inverno se revestem de neve!?

No meu Brasil próspero varonil, salve, salve, cheio de bunda nas praias e futebol que jamais perdeu de 7 X 1, precisamente na graciosa e também jamais poluída SPaulo, há vários estabelecimentos com comida peruana e chefs que são do Peru. Não que algum deles tenha atingido projeção grande ou virado point da moda. Mas estão em alta no falatório gastronômico. Porém, sem muita fome e também sem muito dinheiro para comer à vontade, resolvi arriscar um sanduíche, no restaurante Killa

Foto: Misso

Novoandino e La Sanguchería (foto), antes da “pelada” da encantadora seleção brasileira. Afinal, o Killa Novoandino e o La Sanguchería, do mesmo dono e no mesmo local, oferecem opções de pratos ou de sanguches (nome popular de sanduíche em alguns países latino-americanos, palavra ainda não registrada no dicionário da Real Academia Española). Queria comer o chamado triple clásico, feito com pão de miga, maionese, abacate, ovos, tomate… A garçonete me explicou que não tinha muita saída e havia sido retirado do cardápio. Escolhi, então, o orgullo serrano, que leva abobrinha, berinjela, tomate, com molho huancaíno, e vem quente, num pequeno pão ciabatta. Achei caro pelo tamanho (23 reais, preço de junho de 2015), mas o sabor era sensacional. Como é que abobrinha e berinjela no pão dão um resultado desses? Deve ser por influência do molho huancaíno (criado na cidade peruana de Huancayo, leva batata, alho, cebola, queijo fresco, bolachas tipo água e sal e uma pimenta deles, ají amarelo). E acompanham o sanduíche quatro bisnagas com outros molhos: de pimenta (forte), de azeitonas pretas, ají com queijo e ají com nozes. Para beber, pedi chicha morada, bebida sem álcool (que m…) feita com milho roxo peruano, cravo, canela, frutas cítricas. Aprovadíssima para os mórmons! Mas o preço!!! Me levaram 18 reais por uma taça grande. Há outras opções de sanduíche, como o chicharrón buenazo (costelinha de porco com batata doce, cebola roxa…) e o asado com su salsita rica (lagarto temperado com cebolas caramelizadas). Nos pratos em si, indicados são os ceviches (degustação de três pequenos por R$ 47,50), considerados os melhores da cidade por um júri do caderno Paladar, do “Estadão”. E, na pingaiada (aí é minha praia!!!), o pisco sour, típico do Peru, por 18 reais. Não posso dizer nada, porque não experimentei. O lugar, tranquilo e meio escondido, perto da Avenida Pompeia, merece um retorno, com o estômago mais vazio e a carteira mais cheia.

Killa Novoandino e La Sanguchería.

Rua Padre Chico, 324 Perdizes São Paulo Tels.: 3872–1625 e 98551–8511.

Brasileiros caem no ranking da Restaurant — Começaram entortar os nossos garfos. Não é o efeito Uri Geller (contestado mago que faz talheres entortarem com a força do pensamento), mas é na qualidade mesmo. Os dois únicos restaurantes brasileiros que aparecem na lista dos 50 melhores do mundo da revista britânica Restaurant, neste ano, caíram do ano passado para cá. O D.O.M. (São Paulo) caiu do 7º para o 9º lugar; já o Maní (São Paulo) desceu de 37º para 41º. O primeiro lugar ficou com o El Celler da Can Roca, de Girona, Espanha. O Central, de Lima, Peru, ganhou como o melhor restaurante da América do Sul (4º na classificação geral). O melhor da Ásia (8º do mundo) é o Narisawa, de Tóquio. Ficou com o Eleven Madison, de Nova York, o registro como melhor da América do Norte (5º no geral). O The Test Kitchen, da Cidade do Cabo, África do Sul, foi considerado o melhor do continente africano (28º na relação completa). O Attica,de Ripponlea, subúrbio de Melboure, Austrália, recebeu o qualificativo de melhor da Australásia (no geral, 32º).

Para quem gosta de estatísticas e campeonatos mundiais de qualquer coisa, os 50 mais mais do mundo reúnem 7 estabelecimentos da Espanha, 6 dos Estados Unidos, 5 da França, 3 da Itália, 3 do Peru, 3 do México, 2 do Brasil, 2 da Inglaterra, 2 do Japão, 2 da Dinamarca, 2 da Tailândia, 2 da Suécia, 2 da Suíça, 2 da Alemanha, 1 da Rússia, 1 da China, 1 da África do Sul, 1 da Austrália, 1 de Hong Kong, 1 de Cingapura e 1 do Chile. É o tipo de coisa que não serve pra nada, até porque, verdade verdadeira, listas de melhores e maiores existem às pencas e gosto é sempre relativo. Aliás, segundo pesquisas em SPaulo, foi comprovado que 72,3% das empadinhas são servidas sem azeitonas. Eu sei, porque pessoalmente fiz pesquisas em mais de um bilhão de bares e restaurantes (que coisa importante, meu!). Contudo, tive a sorte de, em tempos de vacas mais gordas, conhecer o D.O.M. e o Maní. Uma vez só, é lógico, porque nenhuma carteira de classe média baixa, como a minha, aguenta retiradas daquele tipo. Gostei bem mais do Maní, com aqueles biscoitões de polvilho no couvert e a criatividade nos pratos que me agradou e aos dois amigos que estavam comigo.

Rua Joaquim Antunes, 210 Jardim Paulistano Tel.: 3085–4148.

Rua Barão de Capanema, 549 Jardim Paulistano Tel.: 3088–0761.


Originally published at www.gastromisso.com.br on October 26, 2015.

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