PF nota 10 e sem papel para os números

Foto: www.uscha.com.br

Dar umas “chacoalhadas ” no centro velho de SPaulo sempre traz algumas satisfações inesperadas tanto prazerosamente, como um belo motivo para se esconder de ladrão ou mesmo de entregadores de propaganda das Mães Dinahs da vida. No caso, o refúgio de hoje é o sessentão Ita, boteco simples, com preços baixos e de ótima opção alimentar. É elogiado sempre pela mídia esfomeada, à procura de comida insistentemente. Se for querer mesa, esqueça. Se passar pelo local, verá um balcão grande, em mármore. Já o famoso couvert é monumental para uma formiga: pão francês, às vezes seco, e também com o mundialmente famoso azeite. Precisando de palitos, a coisa aí é chique, muito chique! O charme dos pauzinhos vem do armazenamento em garrafinhas de plásticos pequenas, de Lindoya, que também armazenam sal ou vinagre. Prático, não! Está aí um “quê” de Paris.

Chegar mais cedo é de muito bom proveito, por volta das 11 h, pois, “minino”, a coisa pega mais tarde heim. O que vale são os pratos, de cerâmica, lógico! Mas o que vai dentro deles vale o dia e a região do Largo do Paiçandu. Não há cardápio, as sugestões estão nas velhas escrituras de parede. Se o distinto freguês não comer carne, ora, pede arroz, feijão e fritas por 9 reais. Um espaguete ao sugo sai por 8 reais; contrafilé com arroz e fritas fica em 15. O suco pequeno (bom tamanho), custa 3 reais, o médio, 4 reais; o grande, 7. O doce de grande sucesso de público e crítica continua sendo o fantástico pudim de leite, feito na chama do fogão, custo de 4 reais — uma boa opção, regada com caramelo. O creme de abacate sai pelo mesmo preço. Às quartas e sábados há uma prestigiada feijoada, que dá praticamente para três pessoas, no custo de 42 reais a pequena, e 54 reais a grande. Já nas sextas, servem bacalhau por 18 reais. Os frequentadores já devem ter ouvido seu Luís revelando certo cansaço pelo dia a dia trabalhoso. O dono do restaurante, em 1953, era um espanhol. Os irmãos portugueses João e Luís Nunes Pedro, trabalharam lá e o compraram em 1998; segundo as lendas, estão doidos para repassá-lo. Nunca se sabe. O Ita fica na rua do Boticário — boticário, para quem não sabe, era o nome dado antigamente aos formados em Farmácia. E o curioso do Ita é que as contas dos almoços da rapaziada é feito no próprio balcão de mármore, só gastando o lápis e pano molhado. Porque papel, meu amigo, ali sempre foi coisa do passado.

AFINAL, PAIÇANDU OU PAISSANDU?

Muitos escrevem Paissandu, com dois S. Mas qualquer aluno atento já ouviu professores de português e gramáticos explicando que palavras de origem indígena ou africana são escritas em português atual com Ç. Assim, Paiçandu, Paraguaçu, Turiaçu, Iguaçu…Não adianta dizer que no letreiro do ônibus tal estava com dois esses, que na loja tal escreveram também com SS. Está errado — e acabou. Se cair o teste num concurso, por exemplo, não marcar a alternativa com Ç é perder com certeza um ponto. Pior são aqueles que ainda insistem em colocar o acento no U final do Paiçandu. Não tem, ponto final. Também não tem aquele palavrão famoso que termina em U — embora nos muros e portas de banheiros apareça sempre o tracinho enfeitando o U.

Restaurante Ita Rua do Boticário, quase esquina com o Largo do Paiçandu


Originally published at www.gastromisso.com.br on October 21, 2015.

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