Empatia vs. Guerra de Egos

Créditos: (www.mundodapsi.com)

A empatia, isto é, a capacidade de se colocar no lugar do outro, talvez venha perdendo feio para a Guerra de Egos que se instaurou, muito mais, através das redes sociais. Não é à toa que algumas pessoas, volta e meia, precisam se afastar do iPhone e fechar a conta no Facebook durante um tempo só para ter um pouco de paz.

O problema é as pessoas que fazem mau uso da palavra. Não é raro que muitos que não têm empatia alguma pelo próximo postem no Facebook mensagens sobre solidariedade e compreensão — olha ela, a discrepância. Pois, essas pessoas sentem uma necessidade de se aparecer tanto que elas sequer percebem que não têm empatia alguma.

Capacidade de se colocar no lugar do outro é dialogar, sentar e conversar, procurar entender o vazio existencial do próximo. Não tem nada a ver com essa necessidade absurda de chamar atenção a todo custo; de atropelar as pessoas que estão a sua volta porque você é um ególatra. E nada tem a ver com “likes”, “haha”, “amei” ou “grr”.

A arrogância passa longe da empatia. Os donos da razão e os petulantes, por ora, não vão saber o que significa o termo. E o mais incrível é que essas pessoas realmente se sentem empáticas. Elas juram que compartilhar um gif de empatia, enquanto tentam destruir a vida da coleguinha da faculdade, é, de fato, ser empático.

Meu amor, se você não tem a capacidade de sentar e conversar com alguém que provavelmente vai te dizer um “não” ou que vai discordar da sua opinião que, é claro, sempre está correta, você não está pronto para encarar o mundo aqui fora. Se você não tem capacidade para perguntar a uma pessoa o que ela sente e como ela tem vivido antes de julgá-la ou bloqueá-la do “Face”, esquece, você está realmente longe da empatia.

Empatia não quer dizer que você vai dizer “sim” para tudo ou que você vai visitar asilos e contar histórias para os velhinhos todo santo dia. Aprender a dizer “não”, aliás, é o que vai te salvar de morrer antes dos 50 anos de tanto engolir sapo. Acredito que empatia seja, repito, a capacidade de sentar e perguntar a outra pessoa como ela se sente antes de julgá-la ou de excluir da sua vida porque (nossa!) você tem certeza que essa pessoa é uma “merda”.

Somos todos imperfeitos (eu e você, também!). Fique esperando uma família perfeita, um namorado perfeito, um melhor amigo perfeito e morra (triste) esperando por isso. Entenda que o bonito é não ser perfeito. Não somos máquinas; não somos robôs; não somos um computador programado para repetir todo santo dia frases lindas de amor e ter um comportamento exemplar no trabalho.

Erramos feio e isso é bonito, acredite em mim. Imagina que coisa mais chata a gente sempre acertando, a gente sempre vencendo a Guerra de Egos e a gente sem ter do que reclamar. Seria uma vidinha medíocre, camarada. Reclamar é preciso e as pessoas têm muito do que reclamar. Portanto, saia da sua bolha arrogante e comece a ouví-las. Pare de humilhar a sua colega do trabalho porque você não suporta o bafo dela. Ser humano fede.

Pare, imediatamente, de comprar a briga do seu familiar, do seu namorado e do seu melhor amigo e entenda de uma vez que ele também erra. As pessoas que nós mais amamos no mundo erram e, ainda assim, continuam sendo as pessoas mais lindas do mundo. Mas, não precisamos, de forma alguma, descredenciar as pessoas que as ferem, por algum motivo, porque achamos que o nosso lindo tesouro nunca erra. O nosso tesourinho pode estar, ou não, errado. Não seja aquela mãe que vai na escola brigar com o professor porque ela jura que o filho é o ser mais perfeito do mundo e nunca faz cagada.

Seja ponderado. Não banque o arrogante e tenha a capacidade de perguntar a pessoa que você considera digna de ódio e indiferença como é que ela se sente e porque é que ela se comporta desse jeito que você não gosta. Por que, diabos, esse garoto está roubando essa menina indefesa que só caminha pelas ruas? Pergunte a ele. Pergunte se ele tem uma família como a sua. Pergunte como ele se sente. Pergunte o que ele acha do nosso sistema. Ou você acha, realmente, de dentro da sua bolha, que um garoto da favela assalta uma “cidadã de bem” porque ele achou a ideia bacana? Sérião?

Você, cristão, quando foi que você perdeu a sua capacidade de seguir os ensinamentos de Jesus? Quando foi que você deixou de amar o próximo como a ti mesmo, hein? Quando foi que você chegou à conclusão que pagar o dízimo é o que vai te levar para o céu, enquanto você se recusa a estender a mão para ajudar uma pessoa que está em situação de rua?

Você, machão, que despreza o mérito das suas colegas. Quem foi que disse para você que você é melhor que elas? Você, em algum momento, já se colocou no lugar de uma mulher? Você queria ter vagina ao invés de pinto? Você queria ter as suas chances diminuídas no mercado de trabalho apenas porque você tem uma vagina? Não, machão, você não queria. Pare de ser uma máquina programada para repetir baboseira.

Você, que acha que empatia é “mimimi feminista”. O que você tem feito para ajudar as pessoas que realmente precisam? Você tem se dedicado a alguma causa importante além de você mesmo, ou você está focado só em promover a sua imagem (no trabalho, na faculdade, em casa, no Instagram)? Você tem, ao menos, tentado se colocar no lugar das pessoas que você diz que ama? Você não queria, em algum momento, que as pessoas te entendessem e se colocassem no seu lugar? Porque você se acha o máximo, não é? Mas, você não é.

Ainda há tempo. Definitivamente se você está lendo esse texto, ainda é tempo. Juro para você que amanhã você pode ser uma pessoa melhor, sim. Ainda que você ache que você é o(a) dono(a) de toda razão; ainda que você se ache o máximo ou tenha certeza de que é uma pobre vítima do seu círculo social, é possível melhorar isso aí. Eu e você podemos melhorar muito e, assim, melhorar esse mundo carente de solidariedade e cheio de egos inflados.

Agora, se você não tem coragem nem de querer mudar esses defeitinhos básicos que todo mundo tem, repito: não, você não está preparado para viver no mundo aqui fora. Continue na sua bolha de arrogante e vá perdendo pessoas bacanas que poderiam estar ao seu redor, mas não vão estar porque ninguém suporta os donos de toda razão. Continue sendo só mais um soldadinho da Guerra de Egos.

Tentar se colocar no lugar do outro é, muitas vezes, dolorido. Vai doer bem no seu ego. Mas, ainda é melhor do que ser arrogante ou uma pobre vítima do sistema; vai ser melhor do que viver alheio à realidade. Pise no chão e conheça pessoas de carne e osso; pessoas imperfeitas e que erram a todo momento sabe-deus-porque. Elas vão doer em você; elas vão doer na sua alma, mas aí você vai sair da caverna e conhecer um monte de gente que, em um primeiro momento não aparentava, mas, realmente vale a pena.

Ter empatia não tem nada a ver com ter razão sempre. Para ter razão sempre, você apenas precisa ser um soldadinho muito arrogante da Guerra de Egos.

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