estado de poesia concreta em livro de carne: dualidades e devaneios

agora, percebi as dualidades da vida. não só isso, é claro. percebi o amor, o sexo, as drogas, a produção científica, a arte, a boemia e uma infinidade de coisas. sobre as dualidades, percebi a força e o equilíbrio, a etapa e a fluidez, a seriedade e a criancice, o indiferente e o intenso. a ciclicidade e o acaso, o individual e o coletivo, depressão e euforia. sabedoria e afeto, admitindo ora sim, ora não, que caminhem juntos. percebi a profecia e a ressignificação do que está aparente aos olhos. lombra e limbo e chão e tato e teto, sem que sejam, via de regra, contraponto. girassol e giralua, meu corpo. saudades e sufoco, permanência e partida. implicância e complascência. teimosia e arrêgo. sentimento e apatia. inspiração e, eu diria “sem mais”, mas, expiração e intuição. finitude e essa lista crescente. trabalho em demolição. percebi o que é sistêmico e o que não – há um nome pra isso? maldita taxonomia! substantivo feminino (feminino!): mania de querer dar nome a tudo. percebi ainda o físico e o espiritual, o que sinto e o que quero sentir. sinto, aliás, com toda essa dualidade, a certeza e a desconfiança de que não são só e somente duas pontas, dois extremos, duas simplicidades. não são só ying e yang com um pedacinho de cada, não são só dois lados da gangorra nem dois pontos de vista. nem em cima, nem embaixo. são, e digo e repito e colo todos os muros (como é cômico ter expressões tão minhas!) – são, ao mesmo tempo e incerto, o labirinto e o desmantelo e o renascimento e o cru. o caos e a paz, a entrada e a saída. são o problema e a solução. não necessariamente nessa ordem. são, sobretudo, quem sou e como sou – concretizando percepções e poesias, transpassando e transbordando, contendo mornice e quentura.

xêro, canôa, chamêgo, orgânico, terra, morte.

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