Fiquei 15 Dias Longe do Facebook

Foi muito melhor que o esperado.

Acordar, coçar os olhos, virar para o lado e pegar o celular. Abrir o Facebook, checar a lista de notificações, dar a primeira passada pelo feed de notícias e conferir se o apocalipse já começou em algum lugar. Viver. Deitar, acender a tela do telefone pela ducentésima vez no dia, clicar no ícone azul e ter certeza de que nenhuma notícia, nenhum post deixou de ser lido. Ler o que falta, caso houver algo, colocar o telefone do lado da cama e fechar os olhos para tentar dormir.

Essa é uma boa descrição do seu dia? Se sim, saiba que nós estamos no mesmo grupo — o de pessoas que usam constantemente o Facebook. Heavy-users, se você for hipster-chic-geek-moderninho, viciados, se você for a minha mãe ou meu pai, o nome pouco importa: estamos falando de quem vive no espaço geográfico mas, ao mesmo tempo, no espaço cibernético.

E sim, a gente não consegue — nem tenta — negar que vivemos dentro desse galpão gigante pintado de azul. Mas, e se de repente nós saíssemos? Talvez a primeira impressão seja a de que esse movimento é como tirar um peixe de dentro do seu aquário. Depois de quinze dias longe do Facebook, digo que sim, é como sair do aquário — e cair num oceano de dúvidas, desconfortos e possibilidades.

Cá na minha experiência, descobri uns fatos interessantes. Vejamos:

1. É possível viver fora do Facebook

Por mais que a nossa vida pareça estar muito atrelada ao Facebook — e de fato está, nós conseguimos sobreviver bem do lado de fora. É claro que algumas facilidades deixam de existir: por exemplo, desativei minha conta no primeiro dia do período letivo, quando não sabia onde seriam ministradas as aulas do semestre. Se estivesse no Facebook, era só entrar no grupo do centro acadêmico e perguntar, mas, do lado de fora, não tive essa opção. Na vida sem grupos, a solução foi caminhar dez minutos pelo campus — nada mal.

Facebook no celular, é automático.

2. A gente entra no Facebook sem perceber

Nos dois primeiros dias depois de ter desativado minha conta, cliquei no ícone do app do meu celular pelo menos umas cinco vezes. Eu não tinha nada superimportante para compartilhar, ou um desejo incontrolável de me relacionar com outras pessoas; eu tinha tédio. E, como meu cérebro já estava programado, a maneira de ocupar o tempo ocioso que ele escolhia era entrar no Facebook. Nós matamos o espaço livre de pensamentos, que poderia ser usado para reflexões, criatividade, passando o dedo sobre uma tela e rolando uma linha do tempo.

3. Tem muita coisa pra fazer fora do Facebook

O início das minhas férias digitais foi desafiador, porque de repente eu precisava ocupar algo entre cinco, oito horas diárias que antes passava no site. A surpresa é que não foi tão difícil quanto eu imaginava. Pude ler mais, ouvir mais música, buscar novas opções de autores e artistas pra ocupar meu tempo. Pesquisei mais, estudei mais, aprendi mais. Ou seja, é provável que meu tempo tenha sido usado de forma mais útil.

Fale com seus amigos? Será?

4. Facebook não é um site de amigos; é de colegas

Veja bem, eu não quero dizer que não é possível ter relações fortes no Facebook. Conheci amigos incríveis por lá, e mesmo minha namorada encontrei na terra de Zuckerberg. Mas, quando você passa um tempo longe do Facebook, percebe que a distância dos seus amigos é basicamente a mesma. Vocês não se falam mais por lá, não se marcam em memes ou posts interessantes, mas ainda é muito fácil interagir. WhatsApp, Telegram, telefones, encontros físicos, tudo isso ainda está aí. Dos colegas, que não são menos interessantes, mas apenas menos próximos, bate uma saudade, é claro. Querendo ou não, o Facebook é A Rede Social, onde todo mundo se junta, um bar gigante com uma mesa onde cabe (quase) tudo e (quase) todos.

5. O Facebook provavelmente afeta a sua saúde

Ser usuário do site faz mal? Não sei, e acho que esse tipo de pergunta é natimorta, porque é bastante improvável que exista uma resposta científica para essa pergunta. O que quero dizer é que, depois que saí do Facebook, algumas pessoas vieram me perguntar se eu estava bem. De alguma forma,começamos a associar o uso do Facebook com o bem-estar.

6. O Facebook é uma fonte fundamental de notícias

Não, eu não estou falando das correntes ou dos posts do Revoltados OnLine. Mas, depois de duas semanas sem Facebook, eu digo sem hesitar que o site é provavelmente a melhor ferramenta de clipping já inventada. Se na rede é possível seguir os mais tradicionais dos jornais até a mais alternativa das fontes num só lugar, no mundo fora dela nós precisamos pescar a notícia com um anzol — e muita coisa se perde. Se alguém me perguntar do que eu mais senti saudade nestes 15 dias, posso afirmar com certeza que foi davariedade de notícias e veículos disponíveis por lá e dos jornalistas/articulistas/analistas que publicam suas crônicas do cotidiano na rede.

7. O Facebook nos prende lá dentro

Refletindo sobre a possibilidade de conciliar as coisas boas do Facebook com aquelas ruins, a resposta me parece ser difícil de encontrar. De fato, se você o usa pelo tempo necessário apenas para absorver o que interessa, isso é bom. Mas, ao mesmo tempo, há uma efervescência de conteúdos na rede que, num determinado momento, nos impede de sair. Sempre há algo novo e interessante para ser visto, sempre tem mais um post, sempre tem mais um link. Como usar o Facebook com moderação?

8. É possível viver fora do Facebook, mas talvez ainda seja melhor estar lá

Sair do Facebook foi muito fácil — é só desativar a conta. Por outro lado,voltar é mais difícil. Embora teoricamente seja só fazer o login e pronto, não é tão simples. Este ato traz de volta toda a confusão, as guerras, as disputas que habitam o site. O Facebook é esse grande aquário cuja água poderia ser mais limpa.

Mas, ao mesmo tempo, existem vantagens que ainda me mantém por lá. Os amigos e colegas, as melhores discussões e opiniões, isso tudo habita no Mundo de Facebook.

Além do mais, é preciso fazer valer o esforço de escrever este texto e divulgá-lo; que lugar seria melhor para isso que o próprio Facebook?


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