XBOX ONE: À CONQUISTA DE PORTUGAL
A surpreendente estratégia da Xbox One para Portugal e tudo o que precisas de saber sobre a nova consola da Microsoft.
A nova menina dos olhos da Microsoft, a aguardada Xbox One, prepara-se para invadir Portugal, quase um ano após ter sido lançada nos principais mercados mundiais. É verdade que isto significa uma maior espera para os jogadores lusos, mas por outro lado esta latência no lançamento traz mais vantagens do que dores de cabeça — muitas coisas mudaram para melhor na Xbox One no espaço de um ano.
A Xbox One tem tido tudo menos um parto fácil. Desde que foi apresentada na E3 que tem sido alvo de duras críticas e protestos por parte dos jogadores. As contestações levaram ao desaparecimento de características como a obrigatoriedade de ligar a consola à internet uma vez por dia, restrições no que toca à venda de jogos em segunda mão e até conseguiram que a consola já não esteja bloqueada a nenhuma região em particular. Por estas, e por outras razões que revelaremos mais à frente, dizemos: valeu a pena a espera.
Não é absurdo afirmar que a consola que se prepara agora para chegar a Portugal é mais do que um simples produto de uma marca: é, em boa parte, e ainda que inadvertidamente, o resultado de um conceito desenvolvido em conjunto por produtores e consumidores. É coerente com os tempos em que vivemos, nos quais “todos” parecem ter uma opinião para partilhar online. Bem-vindos à internet.

A consola
A visão da Microsoft para a sua Xbox One tem pouco de original: mais do que uma consola de videojogos, quer ser o centro do nosso mundo digital. Este é um conceito que a Microsoft já anda a tentar vender, sem sucesso, desde ainda antes da existência da Xbox original. Não é que não faça sentido existir um único aparelho na sala de estar a partir do qual podemos realizar as nossas principais actividades de entretenimento digitais — o problema sempre foi a execução da ideia.
Nas palavras da própria Microsoft, “A Xbox One permite ao utilizador não ter de escolher entre jogos e entretenimento. Agora o utilizador pode receber alertas multijogador enquanto vê TV e continuar a ver o programa preferido enquanto joga. É também possível saltar de forma instantânea de um jogo para uma série e daqui para um filme ou para exercícios de fitness, ou simplesmente ouvir música, ver desporto, aceder à internet ou fazer uma chamada no Skype, usando apenas a voz.”
Não é difícil perceber o porquê da insistência nesta estratégia, de resto agora também adoptada pela Sony e pela Nintendo:
- 1. Uma consola de videojogos apela maioritariamente ao nicho dos jogadores hard-core. Um centro de entretenimento digital apela a toda a família — ao mainstream, o que expande significativamente o potencial de vendas.
- Actualmente, um típico jogador não canaliza necessariamente todos os minutos do seu tempo livre para os jogos. Socialização online, séries televisivas e filmes tendem também a fazer parte do seu quotidiano.
Em termos técnicos, a consola está efectivamente bem equipada para o multitasking a que se propõe, incluindo conectividade com o exterior:
. Processador x86–64 AMD APU “Jaguar” Octa-Core 1.75 GHz
. 8GB de memória RAM DDR3
. GPU AMD Radeon GCN 768 cores 853 MHz 1,31 TFLOPS
. Disco Rígido de 500GB
. Leitor de Blu-Ray e DVD
. Som 7.1 Surround
Kinect 2.0
O sensor de movimentos, webcam e microfone da Xbox One, agora melhorado e baptizado de Kinect 2.0, é uma peça de hardware impressionante, que não só permite controlar a consola e alguns jogos através de gestos e comandos de voz, mas também fazer videochamadas ou quaisquer outras actividades que requeiram uma webcam e um microfone.
É um elemento diferenciador, prático e incentiva os criadores de videojogos a explorarem novos conceitos e ideias. No entanto, a sua relevância para a Xbox One tem vindo a oscilar de indispensável a totalmente dispensável, graças ao tal “refinamento estratégico” que a Microsoft tem vindo a operar.
Em termos práticos isto significa que existem à venda duas versões da Xbox One — com e sem Kinect incluído — o que inevitavelmente levanta um problema para os criadores de videojogos: vale a pena desenvolver jogos para o Kinect se isso significar alienar uma fatia de mercado que nunca os irá comprar porque não possui uma unidade Kinect na sua Xbox One? A realidade mais provável é o Kinect vir a desaparecer por completo. Os mais recentes números de vendas apontam para isso mesmo.
Incluímos abaixo um modelo tridimensional, não oficial, da consola, para um olhar mais detalhado. Pode ser colocado em Fullscreen. Usem o rato para navegar e a roda central para fazer zoom.
Novo Controlador
A Xbox One vem também munida de um novo gamepad que, segundo a Microsoft, conta com mais de 40 melhoramentos. Destacamos os principais na imagem interactiva abaixo:
De notar que este novo controlador pode ser usado em computadores com sistema operativo Windows, bastando para isso fazer download dos drivers aqui.

A Xbox One em Portugal
No passado dia 25 de Junho, o IGN Portugal esteve no evento oficial de lançamento da Xbox One, nas instalações da Microsoft Portugal, em Lisboa, onde conversou com os responsáveis da marca e teve contacto em primeira mão com a consola e alguns dos seus jogos.
Não é segredo para ninguém que a Microsoft nunca apostou de forma convicta na presença da Xbox em Portugal, um facto que a Microsoft Portugal diz querer alterar, referindo mesmo que o objectivo para este ano é chegar ao 2º lugar do pódio de vendas lusas.
Para isso estarão disponíveis a partir de 5 de Setembro, duas versões da Xbox One, uma a 499 euros (com Kinect, Fifa 15, Forza 5 e Dance Central: Spotlight) e outra a 399 euros (sem Kinect e sem Dance Central: Spotlight) — de notar que os jogos são oferecidos via download. Os jogos lançados aquando do lançamento internacional da consola, agora quase com um ano de idade, serão vendidos em Portugal com uma redução de preço, um corte que poderá ir até aos 15 euros. Estamos a falar de títulos como o Call Of Duty: Ghosts, Fifa 14 ou o aclamado Titanfall.
Os menus estarão localizados para português, assim como as aplicações nativas da Microsoft (como o SkyDrive) e outras, como o Twitch, Machinima ou Eurosport. O objectivo final é conseguir eventualmente localizar tudo, tanto as aplicações como os próprios comandos de voz.

Seguindo a lógica da Nintendo e do seu Wii Ware e a para capitalizar sobre o boom que se tem verificado de produtoras independentes de videojogos (em especial para smartphones) a Microsoft adopta agora uma estratégia que consiste em apoiar localmente produtoras independentes.
A iniciativa chama-se ID@Xbox e consiste em “disponibilizar o Software Development Kit da Xbox One, documentação técnica, middleware gratuito e acesso a fóruns privados e à comunidade mundial de desenvolvimento para troca de experiências, com vista a possibilitar a criação de novos jogos por parte de empresas, start-ups ou programadores a título individual”, explica a Microsoft Portugal. A bordo estão já produtoras nacionais como a Biodroid, a Nerdmonkeys, a Bicastudios, a Gamestudio78 e a Indot.

O futuro
… a Deus pertence, diz o idoso ditado Português. Mas pelo sim, pelo não, não recomendamos que a Microsoft coloque todos os ovos no cesto da intervenção divina. Na realidade a Xbox One tem um longo e duro caminho pela frente, para vingar num país, tão habituado à Sony, que até substitui a palavra consola por PlayStation.
Mas há esperança: a presença da marca PlayStation em Portugal tem vindo a tornar-se mais tímida. Se aliarmos isso à recente escorregadela da Nintendo com a Wii U, ao ID@Xbox, e ao facto de agora existir uma Xbox One mais barata, sem Kinect (que alguns analistas dizem, irá ultrapassar as vendas da PS4 em 2015), é possível vislumbrar uma Xbox One a atravessar a meta em, pelo menos, 2º lugar.
E convém não esquecer aquele que é provavelmente o factor mais importante de todos: os jogos. Ninguém compra uma consola só para ficar a olhar para ela. A ideia é jogar e se não existirem jogos bons…
Para melhor perceber o que esperar da Xbox One a médio prazo, eis os principais jogos que aí vêm. Segundo a Microsoft, os seus preços poderão ir até aos 70 euros.
Assassin’s Creed: Unity
Call Of Duty: Advanced Warfare
Crackdown
D4: Dark Dreams Don’t Die
Dance Central: Spotlight
Dragon Age: Inquisition
Evolve
Fable
Forza Horizon 2
Forza Motorsport 5
Halo 5: Guardians
Halo: Master Chief Collection
Happy Wars
Killer Instinct
Ori and the Blind Forest
Phantom Dust
Project Spark
Rise of the Tomb Raider
Scalebound
Sunset Overdrive
Super Ultra Dead Rising 3: Arcade Remix Hyper Edition
Tom Clancy’s The Division
The Witcher 3: Wild Hunt

Easter Egg
Assim em jeito de miminho para quem conseguiu chegar até aqui abaixo, fica uma fotografia 360º do evento de lançamento da Xbox One em Portugal. Tem alguns artefactos mas vale a pena espreitar e saciar a curiosidade.