Chevrolet Celta LS 2015 - No uso

Bem, vamos lá, já fazem quase 3 meses que eu estou enrolando para começar esse texto.
Nas minhas férias eu tive o prazer e o desprazer de ficar 7 dias com o supracitado Celta e resolvi vir aqui dar as minhas considerações sobre a experiência.
Disclaimer: ninguém me pagou nada, na verdade eu mesmo paguei, já deixo pré avisado que todas as considerações são minhas e que nem por isso o carro será um carro necessariamente ruim para você, porque pra mim é.

Então, como eu ia falando, foram 7 dias e 980km na companhia dele e algumas coisas foram surpresas agradáveis, outras nem tanto, então, pra facilitar a leitura num modo geral, separarei em tópicos e depois darei minhas considerações finais.
MOTOR:
Equipado com um motor 1.0 VHC-E e gerando um pico máximo de 78cv, o Celta não é um carro que deixa a desejar na cidade e por outros motivos(já já chego neles), também poderia ser um carro razoavelmente agradável na estrada, a faixa de giros para torque e potência agradam, mas pelo câmbio extremamente curto, o carro chega a ser desagradável em algumas situações na cidade e irritante na estrada. Faltando uma conversa melhor entre todo o conjunto motriz, o Celta por várias vezes conseguiu ter um consumo pior que o do meu atual carro, um Fiat Tipo, principalmente em trechos de estrada, onde, pra mim, a falha de projeto no sistema de tração falou mais alto. Com médias entre 12 e 14km/l na gasolina, deixou a desejar, mas não que seja um problema totalmente do motor.
DIREÇÃO:
Levando em conta o tamanho e peso do carro, mesmo sem direção hidráulica ele consegue ser um carro agradável e fácil de manobrar, o entre-eixos curto também ajuda bastante, além de te passar segurança em manobras mais rápidas. Tirando a falta de alinhamento do volante com o assento do motorista, que pode ser percebido depois de longos períodos dirigindo, não há muito do que se reclamar.

SUSPENSÃO:
Com um acerto bem equilibrado e um tanto quanto rígido para um carro de passeio, popular e de pequeno porte, mostra que o projeto poderia ter mais entusiasmo, com um curso agradável, também passa muita segurança tendo em vista o carro e a faixa de preço/público alvo, acredito que possa até ser super dimensionado para aguentar essas nossas estradas merdas que basicamente são estágios de rally para os padrões americanos e europeus. Ainda nesse assunto, gostaria de elogiar os engenheiros dessa área por terem realmente projetado algo bom pra um carro barato.
INTERIOR:
Espartano, como um carro de entrada deve ser, tem acabamento simples, com assentos básicos e sem nenhuma pretensão de parecer mais do que é, o espaço pra passageiros não pode ser avaliado pois dos quase 1000km, rodei apenas 5km com mais de uma pessoa no carro, portanto fica fora de cogitação avaliar. O espaço no porta malas agrada, cabendo duas malas médias e uma mochila, foi o bastante pra mim é dificilmente seria um problema.

FREIOS:
Freiam.
OK, OK, os freios são bons para o projeto original do carro, mesmo em trechos de Serra, não percebi sinais de fadiga, além de serem aceitáveis e estarem dentro da média dos carros de hoje, afinal, vocês queriam o que? Freios de carbono/carbono num Celta?
CAMBIO:
Um dos pontos baixos do carro, com a relação curtíssima, transformando a primeira marcha totalmente inutilizável e transformando em um tormento inimaginável andar acima de 80kph. como falei anteriormente, viajar com o carro é só irritação, o isolamento acústico não colabora e o motor trabalha em um regime de giros muito alto, elevando o consumo e acabando com a sua paciência, na cidade ele ainda é guiavel, com um câmbio de quatro marchas e em circuito urbano, o carro não decepciona, mas a experiência na estrada é extremamente decepcionante, o motor tem potência o bastante para poder empurrar o carro com um diferencial mais longo...
DESIGN:
Bem... É um Celta, não tem muito o que se falar... Não viu as fotos aí em cima?
CONCLUSÃO:
Mesmo sendo um carro honesto para padrões brasileiros, não me agrada essas falhas de projeto, como o desalinho do volante e o câmbio com uma relação ridiculamente curta, que praticamente matam o carro, pois impossibilita viagens longas sem que haja um estresse gigantesco tanto pelo ruído gerado quanto o consumo pior que um carro 1.6, tendo em vista que, a versão que eu estava não tinha nem ar condicionado.
Algumas coisas no projeto animam bastante, mas o conjunto final junto da plataforma antiga usada pelo Corsa B, acabam enterrando o sonho e a ilusão que certos afinamento passam para ti, o que limita ele a, no máximo, o daily driver, caso vc tenha um project car na garagem.
Não comentarei sobre valores pelo fato de que carros 0km no brasil são um assalto a mão armada no meio dia no centro da cidade, não vem ao caso.
Algumas fotos a mais da viagem.



