06 de setembro de 2018 — pré feriado e o cansaço
Devido ao Mega trânsito que peguei, cheguei atrasada quase uma aula toda (50 min). Quando cheguei, tinha alguns alunos fumando do lado de fora: “ohhhhh professora, mó demora hein. Tava quase indo embora.” “Peguei um trânsito daqueles hoje” “Não deve ter ninguém na sala, fica aqui e fuma um com a gente” “Eu não fumo” e sai rumo a sala.
Estava a maioria do pessoal lá esperando. Falei das minhas raivas no trajeto. Devido ao episódio sobre o Bolsonaro, eles estavam conversando sobre isso antes de eu chegar e me perguntaram se eu queria entrar na conversa. Disse que depois do intervalo sim, mas ainda tinha matéria pra explicar.
Claro que aguentei uma zoeira daquelas. Até falei: “Hoje tô sem moral nenhuma né”. Um deles: “Po, cadê a moral de semana passada, prô?”. Hoje aguentei os trocadilhos do meu atraso. Eu falei: “poxa, logo hoje que trouxe uma revista para mostrar a vocês?” “Mostra aí prô”. Era a revista do Sesc que tinha a entrevista que dei. Alguns poucos viram e elogiaram, mas preferi focar na aula.
Antes disso, comentei sobre o envio de e-mails e que faltava gente me enviar. Falei para um deles que postei uma foto do email e gerou uma boa repercussão, mas acharam que era uma menina que tinha escrito. O amigo dele falou: “Eu também mandei um e-mail bonitinho, prô”. Pedi para irem no Instagram e ver a foto que postei. Esse último aluno falou: “Ah só porque ele colocou coraçãozinho?”.

Perguntei se tinham recebido o PDF que mandei e se já tinham começado a fazer alguma coisa, se precisava de explicação. Eles pediram pra eu explicar antes de eles tentarem. O assunto da aula foi funções e subrotinas.
O assunto é meio complexo e percebi que não entenderam 100%. Mas depois de explicar deixei a turma trabalhando e fui aos poucos vendo o que acontecia. Inseri o buzzer na aula de hoje, para ‘quebrar um pouco’ só o uso de leds como saída.
Um deles perguntou: “Professora, pra que serve esse ‘tone’? Expliquei que era relacionado a sons. Tem parâmetros de: pra qual pino será enviado, qual a frequência dele e qual a duração, eliminando o uso do delay. Perguntei a eles se eles sabiam tocar. Alguns disseram que violão, baixo e um deles disse: “Eu sei tocar o terror, professora”. Juro que não me contive e disse que iria para o diário de bordo (risos). Depois de rir muito, completei: “Tocar instrumento musical”.
Alguns começaram a ir embora na hora do intervalo. Eu:
-Po, sério que vocês vão me deixar sozinha aqui?
-Prô, a minha mãe já está perguntando se eu não vou pra praia com ela, tá me esperando.
(além dele tinha mais três colegas junto)
-Ué, vocês todos vão com ele? E eu? Hashtag chama eu (#chamaEu)
-Só vem, professora.
-Deixa pra lá, não trouxe roupa de banho.
-Ah dá pra comprar lá, a gente também não tá levando. A gente ainda vai comprar a vodka.
Estava brincando com eles. Mas não tinha muito o que fazer, já que avisaram deixei eles irem. Perguntei se mais alguém ia e se fosse, avisasse pra eu não dar falta. Foram alguns dois outros.
Deu o sinal pro intervalo e eu fiquei na sala, devido ao meu atraso, preferi nem sair. Alguns ficaram também. Aproveitei pra ajudar alguns e conversar. Tive a grata surpresa de duas das alunas trazer um pedaço de bolo e uns doces pra mim porque não sai da sala. E uma dessas estava cansada e com dor de cabeça, queria ir e eu insisti pra ela ficar um pouco mais.
Voltando o pessoal todo, percebi que quase ninguém conseguiu fazer os exercícios que pedi. Um deles falou:
-Professora, tá difícil. Você tá indo muito rápido.
(outro aluno): Você falando isso? Pensei que ia falar que estava fácil.
(primeiro aluno): Professora, seu nível de conhecimento é muito alto, a gente não consegue acompanhar.
Eu fui na lousa resolver o exercício. Pedi pra que eles me falassem o enunciado. Expliquei o funcionamento do Led rgb e comecei a esboçar uma possível solução. Pedi que algum deles implementasse a solução proposta no Arduino. Funcionou.
Um dos alunos é mestiço como eu. Mas no caso a mãe é a oriental, então seu sobrenome mesmo é brasileiro. Os colegas brincam demais com ele: “Ow japonês, esse sobrenome é de pedreiro, de encanador”. Pelo que eles falaram, o pai dele mora no Japão e a mãe, que é a oriental, não fala japonês (diferente do meu caso, que meu pai mora no Japão e fala japonês rs). O pessoal aproveitou pra zoar mais, pois eles estão no 3o semestre e ele não sabia que tinha um Luiz na sala: “Prô, você sabe quem é o Luiz?” “Sei sim, ele senta ali”. Achei engraçado que estou há pouco tempo e eles conviveram bem mais mas o aluno não sabia dos nomes dos outros colegas.
Senti um dos alunos ali na aula meio disperso. Fui falar com ele. Ele disse que o computador que estava não era bom. Disse pra trocar de máquina. Ele foi e depois vi que conseguiu fazer. Mas já vinha notando que estava disperso há uns dias e vou dar mais atenção a ele.
O último caso foi de outro aluno que olhava os colegas ao lado fazendo os exercícios e não estava acompanhando. Sentei ao lado dele e fui tentar ajudar. Ele disse que tinha faltado em duas aulas (devido ao trabalho) e estava boiando. Minhas aulas são sequenciais, ou seja, uma depende do que foi aprendida na outra. Fui fazer o programa com ele mas não consegui, ele perdeu a aula 1, que tratei dos comandos essenciais. Pedi que ele estudasse no feriado, pegando todo o conteúdo dos PDFs e fazendo os exercícios.
Como já estavam todos cansados, alguns começaram a ir embora. Deixei. Apenas dois ficaram até o fim. Falei para eles irem mas um só entendeu após muita explicação.
O conteúdo está rápido ou eles estão com dificuldades? Vou ver o que consigo fazer. E tentar resgatar isso.
Aguardem os próximos diários de bordo da Prô.
