11 de setembro de 2018 — Momento sermão

Passei um dia para juntar os relatórios entregues do ETIM para começar a lançar nota. Aí percebo que há 4 relatórios iguais. De novo um deles passou para os demais e eu sei quem é.

Pensei muito no que falar e fazer. E hoje foi o dia de ter uma conversa séria.

A aula foi de Bluetooth, para fechar o ciclo de redes sem fio. Levei módulos e jumpers para eles usarem junto com o Arduino. Encontrei um primeiro aluno e fomos conversando até a sala. Eu o cobrei dos trabalhos que ele me devia e ele disse que havia esquecido. Fora isso, ele perguntou como estava e contei de algumas muitas atividades que tinha pra fazer:

-Tá tipo eu, né professora, com um monte de coisas pra entregar.

-Bem nessas. Preciso entregar coisas do mestrado e outras.

-Mas fora aqui, você dá aula em outra ETEC? Também faz vídeos no YouTube, né?

-Não, só nessa. E os vídeos faço pouco. Mas dou cursos nos Sesc, palestras e tem umas viagens. Vai ter uma aula aí que quando acabar vou direto pro aeroporto.

-Teve um dia que a senhora saiu mais cedo, porque ia viajar, não foi?

-Sim, eu fui pro Sesc de Catanduva.

-Nossa, eu achei que tinha muita coisa pra fazer (risos)

Os alunos foram chegando mas não estavam todos ainda. Esperei começar a segunda aula pra falar sobre o ocorrido. Mas tive um outro momento tenso nessa aula: dois alunos estavam fazendo trabalhos de outra matéria na aula. Cheguei neles e falei: “Fazendo trabalho de outra matéria na minha aula?”. Eles diziam que estavam fazendo minhas atividades também, mas sempre que eu olhava estavam fazendo outra coisa. Os programas não davam certo (e eles nem me pediam ajuda), era a desculpa pra voltar nas atividades de História.

Eu perguntei se eles precisavam de uma explicação antes de fazer os exercícios. Eles falaram que sim, então comecei a explicar sobre comunicação serial e o Bluetooth.

Um deles aproveitou a aula pra tirar dúvida do TCC dele. Mas eu ainda falava que era pra fazer a atividade da aula que ao ia dar tempo. Eles foram se revezando mas a aula foi mais produtiva pro TCC do que pra atividade.

Eles foram fazendo e as coisas foram andando. O problema era quando não dava pra encontrar o próprio módulo porque eram muitas redes simultâneas. O app que usei não estava mais na Play Store e tivemos que experimentar outro.

Quando chegou o aluno faltante, parei a aula pra fazer o sermão. Um deles até falou: “Mas todo professor tem que dar bronca na gente” (ele falou em um tom de ‘a gente sempre merece as broncas’). Disse que não seria uma bronca mas uma conversa. Comecei dizendo que tinha recebido relatórios iguais e que não era a primeira vez. Que eu sabia quem fazia e quem copiava. Falei sobre as pequenas diferenças que eles fizeram pra disfarçar a Cópia mas não ia falar nomes. Falei que tento fazer uma aula diferente mas o pessoal não está levando tão a sério.

Alguns se manifestaram dizendo que levam minha aula a sério, que chegam cedo, que a aula é legal. Eu falei sobre os relatórios repetindo-se de novo. Que eles estavam cancelados e ia mandar os envolvidos a fazer um trabalho por e-mail. E que como era a segunda vez, se rolar a terceira vai ter prova pra sala inteira.

Quando falei prova eles: “Naoooooo pro, prova não”. Disse que seria o caso se eu pegar relatórios iguais de novo somente. Um deles apontou um dos colegas dizendo que é ele quem passa, mas eu falei que não ia citar nomes. Os outros colegas brigaram com ele: “Eeeeee ***, ela disse que não ia citar nomes”.

Terminei o sermão dizendo que eu era a aluna no Médio que passava cola, que fazia trabalhos de letras diferentes e que não tinha computador pra passar os trabalhos. Que uma vez ‘deduraram’ o esquema que fiz de fazer trabalhos de Biologia. Fiquei com medo no dia, mas a professora falou: “Ela que está certa, está aprendendo. Pra ter o esperto tem que ter os trouxas”. Eles riram e falaram: noooooossa.

Voltando a aula, perguntei quando seria a pré apresentação da matéria de TCC deles. Eles disseram que será sexta, depois das 10h40. Eles querem que eu vá assistir para “defendê-los” e porque eu ajudei: “Prô, seu nome está nos agradecimentos. Nenhum professor ajudou a gente assim. A gente queria colocar seu nome como orientadora”. Espero ir, vamos ver como será.

Antes de terminar a aula, um deles disse que me viu em um canal do YouTube, em destaque. Fui chamada de digital influencer hahaha. Disse que achava o termo “Nutella” demais. Um deles disse: “é que parece tipo a Larissa Manoela, né? Mas você é melhor que ela”. Ai meu Deus rsrs

Bem, rolou uma conversa amigável sem brigar com eles. São uma turma muito animada, gosto deles muito. Mas os que copiaram vão receber um e-mail pedindo um trabalho pra compensar o relatório anulado e ai se copiarem.

Aguardem os próximos diários de bordo da Prô Ge!