30 de agosto de 2018 — Falta de ler prejudica a aula
Pré diário de bordo: cheguei mais cedo pra ajudar alunos do ETIM com seus TCCs. Estendi o convite a todos pelos e-mails dos grupos, vieram dois alunos do 4º módulo de Eletrônica também. Foi bem produtivo.
Mais uma história do pessoal do 3º módulo na aula de Sistemas Microprocessados I. A aula foi sobre Do/While e Switch/case. Fiz uma explicação na lousa mas não tinha muito segredo. Porém, os exercícios eram mais complexos.
A pergunta mais ouvida é “professora o que é pra fazer?”. Por mais que eu escreva tudo no arquivo, eles têm preguiça de ler. Não é um mal só deles, mas de todos os alunos. Eu não estou me contendo com a preguiça deles de ler uns parágrafos para entender os enunciados ‘-’. As respostas das perguntas deles geralmente está em um parágrafo qualquer que eles não se deram o trabalho de ler.
Tinha um exercício para leitura de um LDR. Perguntei a eles se sabiam o que era. Eles disseram que fizeram um carrinho que andava conforme luz no LDR. A maioria disse que o carrinho não funcionou. Lembrei da minha experiência com meu carrinho no técnico. Contei minha experiência que meu carrinho foi o único da turma que não funcionou. Inclusive o professor falou isso: “Só o seu carrinho não funcionou, Gedeane”. Mas reencontrei o professor após anos, quando fui palestrar no IFSP Guarulhos, e lembrei dessa história do carrinho e minha frustração de não ter funcionado. Ele nem lembrava disso. Os meus alunos riram.
Uma coisa que me deixa um tanto irritada é usar internet pra jogar na hora da aula. Tive mais uma experiência desagradável com isso, a ponto de desligar a internet para não usarem. É chato ter que falar isso para adultos. E é ainda mais chato falar mais de uma vez e passar pela mesa e ainda vê-los jogando.
Tenho um aluno que sempre está ‘atrás de mim’ e com ar de brincadeira, falei pra ele que estava me sentindo assediada. Ele desconversou e disse que estava noivo. Uma aluna que estava próxima disse: “O que a profa vai pensar? E o namorado dela?”. Eu falei que meu namorado era um ET e ainda não fui apresentada, que seu fosse falar das choradeiras ia colocar um sertanejo pra chorar as mágoas (risos).
Depois do intervalo, dois deles não voltaram mais para a aula. Fiz uma chamada (não gosto de fazer, prefiro passar lista) para saber quem tinha ido embora. Alterei no sistema e coloquei as duas ausências. Era mais fácil ter conversado comigo antes de sair. Eu percebi que devolveram o kit e desligaram o computador. Quando perguntei se iam embora, não falaram. O meu faro estava certo.
Fui ajudando os grupos na medida do possível. Também disse a eles para retomarem os exercícios da semana passada que poucos entregaram. Mas alguns travaram no exercício 2, onde queria que contassem o número de vezes que um botão foi pressionado e acendessem um LED correspondente (entre 10). Alguns conseguiram terminar hoje, outros vão tentar em casa (espero que sim).
Enquanto a minha turma do semestre passado funcionou melhor com os PDFs, essa não está tãooooo assim como pensei. Talvez tenha que usar algo mais visual. Também preciso pensar em algo que eles leiam e interpretem. Despertar este interesse está complicado. Mas quem sabe role.
Amanhã tem mais diário de bordo da Prô Ge, desta vez com o 4º módulo e novamente o 3º em Metrologia.
