Rompendo o silêncio — 2° ato

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Desde cedo foi assim,
5 pra mim sempre foi 10
me nivelava por baixo
desde cedo soube meu lugar.

Pra quem é ta bom eu dizia a mim mesma;
Cresci nessa resenha acreditando não ser nada,
e que não seria nada.
Opa Perai!, nada não;
eu sempre soube o que seria!

Na TV rebolando,
Em casa limpando,
Em casa amentando,
Em casa servindo a um macho qualquer.

Foi ai que, com quase trinta descobri que eu-valia-mais.
Que minha nota era 10, que era não.
Que eu sou:
Uma mulherão da porra!

E foi ai que minha visão sobre mim mudou,
No espelho; 
ainda vejo minhas marcas, meu corpo, foi marcado muito antes deu nascer:
- Vai ser mulata essa preta, boa de cama e de casa!

Isso tudo me revolta
E de odio desa sociedade racista e hipócrita,
É que eu faço rima,
e invento prosa.

Vou ser o que sou,
vou me amar primeiro
e depois quem eu quiser.
Foda- se o que vocês acham!
Quem carrega meu corpo sou eu
Quem vive meus sufoco sou eu
Quem sente a minha dor sou eu!

E de raiva, 
eu vou me amar ainda mais.
Vou me achar mesmo
porque foi me achando que me encontrei.

Mulher preta, sapatao! Macumbeira, SIM!

Não gostô problema é seu!

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