A gestão de cidades com ajuda das redes sociais
Hoje em dia, quase todo mundo já ouviu falar de Smart Cities ou Cidades Inteligentes. Esse termo é muito usado para definir cidades que estão cada vez mais conectadas, que usam sensores para medir desde o trânsito até o número de pessoas dentro de um ônibus e outras tecnologias. As Cidades Inteligentes não são smarts somente por estarem repletas de tecnologias e capturarem dados, mas também porque no seu gerenciamento diário, essas informações são usados para melhorar a vida de quem transita e vive em espaços urbanos dia após dia.
Ao redor do mundo encontramos diversos exemplos de como a tecnologia pode ajudar no dia a dia da cidade: em Seoul, a qualidade do ar é monitorada e informada para os cidadãos e assim eles podem decidir em qual horário devem transitar por determinados bairros; em Nova York, um alerta é enviado para o celular das pessoas caso haja alguma emergência na cidade, entre uma série de outros exemplos; em Milton Keynes, na Inglaterra, existem diversas formas de uso dos dados para transformar a cidade em pioneira no quesito Smart City, desde conscientização do consumo da água até coletas de lixo, você pode ver todas as inicia (você pode ver todos os projetos da cidade nesse site: MK Smart)
Nós não precisamos ir muito longe para trazer alguns exemplos sobre esse assunto. Aqui mesmo, no Rio de Janeiro, nós temos o chamado Centro de Operações Rio, o COR, que funciona 24 horas por dia monitorando o estado da cidade. O COR é alimentado por uma série de dados sobre o Rio: informações em tempo real das concessionárias e órgãos púbicos (trânsito, obras, condições climáticas, etc), captação de imagens de 560 câmeras instaladas por toda a cidade e muito mais.


Onde entram as redes sociais nisso tudo?
Além de todos os sensores e câmeras, o próprio conteúdo produzido pelo cidadão é muito importante para saber o que acontece na cidade. Existem aplicativos e outras plataformas onde as pessoas podem denunciar problemas pela cidade e ajudar na sua gestão, mas o uso de redes sociais, como Twitter e Instagram (que tendem a ter mais dados públicos), são muito úteis para a identificação de questões que precisam ser resolvidas.
As pessoas estão o tempo inteiro compartilhando nas redes sociais a sua experiência com os espaços por onde transitam, por isso, muitas prefeituras já usam o monitoramento tradicional das redes para encontrar problemas e orientar a população.
MONITORAMENTO DE PROBLEMAS URBANOS
Através da busca de palavras-chave nas mídias sociais é possível identificar conteúdos que denunciam algum problema da cidade, como por exemplo: bueiros quebrados, alagamentos em dias de chuva, sinais de trânsito com defeitos e até incidências de crimes. Além disso, o monitoramento geolocalizado, ou seja, que usa um local específico como ponto de partida, ao invés de palavras-chave e hashtags, é muito útil para identificar os locais que apresentam ocorrências negativas, já que é possível saber exatamente onde a postagem foi publicada.
Um exemplo legal disso foi quando a Prefeitura do Rio de Janeiro juntou um grupo que, dentre outros projetos, executou o mapeamento de bairros afetados pela dengue através do cruzamento de dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com palavras do Twitter.


Pegamos os exames de sangue enviados à Fiocruz e comparamos com o número de vezes que a palavra “dengue” aparecia no Twitter. A curva foi praticamente igual . A diferença é que o exame de sangue demora sete dias para ficar pronto, enquanto no Twitter podemos saber na mesma hora a latitude e longitude de onde a mensagem foi postada.- diz Pedro Paulo Carvalho, secretário municipal da Casa Civil.
Outro case importante desse assunto é a identificação de problemas causados pelas chuvas através de uma plataforma digital, co-criada pela Geist e o COR, que conecta os pluviômetros (sensores que detectam os níveis de chuva) do Rio de Janeiro à postagens geolocalizadas de redes sociais.
Quando começa a chover forte em uma determinada área, a plataforma começa a captar as postagens públicas relacionadas à chuva naquele bairro. O resultado disso é que muitos problemas denunciados pelos cidadãos são encontrados e localizados pela Prefeitura, que encaminha essa ocorrência para o setor responsável, que deve solucionar o ocorrido.
ALERTAS E INFORMAÇÕES ATRAVÉS DAS REDES SOCIAIS
Um dos cases mais famosos de bom, ou melhor, maravilhoso uso das redes sociais é o da página do Facebook da Prefeitura de Curitiba, que usa o humor não só para descontrair, mas como para informar. Um dos casos mais legais da página foi o “Casamento Vermelho” entre a Prefeitura de Curitiba e a do Rio, que teria a sua cerimônia nos hemocentros das cidades. Essa ação fez com que o número de doadores de sangue triplicasse.


Outro ponto que muitas Prefeituras têm abordado nas mídias sociais é o aviso de problemas pela cidade, com fim de alertar a população. Aqui no Rio, nós temos o Twitter do Centro de Operações, que comunica o estado da cidade 24 horas por dia e também envia alertas sobre problemas críticos para os cidadãos e o Twitter da Lei Seca que informa sobre os locais da patrulha e questões de trânsito.
A tendência é que, assim como as marcas, as prefeituras pelo mundo passem a usar cada vez mais as redes sociais para informar e monitorar sobre aquilo que está acontecendo na cidade. Essas informações ajudam não só o próprio governo e instituições a gerenciar melhor suas operações e se tornar mais resiliente, como ajuda o próprio cidadão a transitar pelo local onde mora ou visita.