Pingos de sal em um rosto descoberto

Gelada, extremamente mais gelada do que eu lembrava, a água só refletia meu humor. Tudo estava diferente, o clima, os animais e a tonalidade da água, entretanto a casa continuava lá, intacta. Pequena demais para uma família inteira, grande demais para minha mãe e eu. Espaços se aglomeravam entre um profundo abismo criado por nós, palavras pairavam entre minúsculos contatos esporádicos. Ainda assim, a água me acalmava, pingos de puro sal se infiltravam em minha roupa, o cheiro era inebriante, por um milésimo de segundo cheguei a pensar que conseguiria viver mais um dia. Engano.

Toda madrugada trás consigo pensamentos indevidos, sensações proibidas, em meu caso, momentos assustadores. Há algumas madrugadas atrás acordei tremendo e desesperada, pensamentos borbulhantes que minha incapaz mente não conseguia lidar. Era tudo muito rápido e ao mesmo tempo, estava afogando-me.

Faltava-me o ar quando decidi ir procurá-lo, e cá estou, pés gelados em contato com água ainda mais gelada, buscando o ar que falta em meus pulmões, quando ao longe avisto uma gaivota, livre, independente, irrisória neste mundo gigantesco e mesmo assim, feliz, realizada. Busca constante do ser humano, o equilíbrio. Seja ele espiritual, mental ou físico. No momento? Busco o mental.

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