Daqui do subúrbio do Rio, o Cristo fica de costas. Talvez seja por isso que, em minha cabeça, tenho tantas tormentas. Meu cérebro me prega peças e traz sentimentos que fogem da alçada da racionalidade.

É, o coração tem dessas.

Co-ra-ção.

Às vezes bate tão forte que nos causa enxaqueca e, ao ritmo que bate rápido & violento, distrai nosso cérebro do comando e assume ele mesmo [o coração]. E mais e mais peças são pregadas, capazes de formarem elas um enorme quebra-cabeça [aqueles que demoram horas a serem montados e, após tanto trabalho e energia gastada, decide-se por deixá-lo assim. Ou, quem sabe, enquadra-lo? Por que não?].

É de madrugada, a cidade dorme e nosso Cristo permanece de costas. Uma das sete maravilhas do mundo moderno e se recusa a nos dar uma viradinha sequer! Nem, ao menos, uma bisbilhotada fugaz! Deve estar a se divertir das loucuras humanas agravadas pelo horário da noite… pois é madrugada e, se é que o horário possa interferir na mente humana, já que esse é pura invenção da própria humanidade e não necessariamente ver-da-de ab-so-lu-ta, é irrefutável a ligação entre os fatos. Mas a gente crê muito no que cria, toma pra si que só existe o que conhecemos e internalizamos a nossa verdade até que a mente se adapte à isso ou aquilo.

É, então, na tarde madrugada, quando a cidade dorme e o silêncio resplandece, que nosso cérebro acende o alerta e bate o ponto para iniciar seu dever que é ser um cérebro na madrugada. Abandona seu posto e deixa-se governar pelo coração.

A loucura é um decreto.

Os primeiro sinais dessa gestão se assumem. Sem explicação, sem mais nem menos, nem menos que o próprio menos, espero daquele que nada se deve esperar. Uma satisfação. Um sinal de vida. Não espero muito além do que a própria palavra diz por si só. Talvez um Sinto sua falta voltemos a ser o que éramos antes e bábábá. Aquelas coisinhas que a gente espera em qualquer madrugada desgovernada de racionalidade.

Mas, meu bem, não me culpe. Apenas me mande um Até logo a gente se vê por aí num desses lugares que você costuma frequentar e fingimos ser pelo acaso e, nisso, acrescentamos mais algum etcetera [quem sabe também algo parecido com Por favor esqueçamos disso e tentemos novamente ainda não desisti e tenho esperança]. Pois todos nós temos, não? Em coisas e pontos diferentes, mas todos convergem na tal esperança.

Ah, deixe-me sonhar e me iludir. É madrugada. É o coração no lugar da mente. Posso ainda sentir o gostinho doce do desejo e dos devaneios antes do amanhecer e com ele o amargor do retorno da razão. Pois é assim que se vive nesse mundo, meu bem. A gente se engana e engole goela abaixo essa coisa amarga enquanto o sol ainda se estende à vista e ilumina todo o horizonte.

Mas a noite chega. Sempre há de chegar. E enquanto eu puder vê-la, saborearei ao bel prazer as desventuras do coração, da saudade e do que, a mim, foi negado.

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