O mundo não acabou

Após adormecer de tantas lágrimas e soluços, ela acordou. Abriu os olhos e estava tudo no mesmo lugar. O mundo não acabou. A única diferença era uma dor de cabeça leve, talvez fruto da ressaca e a marca da aliança no dedo da mão esquerda.

Escutou o som dos pássaros ao longe, assim como tinha se acostumado durante a infância. Agora eles não a irritavam mais. O mundo não acabou. Ensaiou um sorriso ao ver as gatas ainda aninhadas pedindo mais dez minutos de sono. Era apenas um domingo, como outro qualquer.

Os mesmos barulhos de sempre. As mesmas vozes. O celular apitando pedindo uma recarga. Fazia tempo que não sabia o que era acordar sem pensamentos ruins. Era um domingo qualquer, mas o mundo não acabou.

Juntou as latinhas de cerveja. Deu bom dia ao espelho, apesar da marca de maquiagem por tirar ainda era a mesma. Não sentiu vontade de sorrir, mas o desespero por um choro também não apareceu.

Colocou uma música qualquer no Spotify e pela primeira vez em algum tempo sentiu vontade de cantar e dançar. O mundo não acabou. Sorriu pela segunda vez no dia, mas nem percebeu. Apenas girou em volta do eixo e escolheu uma roupa para ir à praia. Era dia de sol.

As ondas batendo nas pedras, o som de um dia perfeito. Já tinha esquecido dos problemas, por ao menos um segundo. Ela só queria um pouco de paz. Molhar os pés do mar, sentir a areia irritante entre os dedos. Até o que mais odiava, agora já era um sinal de vida. O mundo não acabou.

Talvez amanhã tudo faça algum sentido e ela consiga dizer que é feliz, mas pelo menos já aprendeu a lição: o mundo não acabou.