Os Campos do Quiriri — Primeira faixa de Ensaio Sobre A Liberdade

11:57

“Os Campos do Quiriri” já foi “Os Olhos d’´Água”. Já teve um verso assim: “Tudo aconteceu e não tem jeito Estou cansado de procurar defeitos Saí caminhando triste, com o vento E não há tarde de sol que faça o milagre De fazer voltar o tempo” Escrevi esse e outros trechos em 1997. A melodia é basicamente a mesma quando a canção é tocada ao violão. Coisa muito básica, apenas GCG / CGDC / GC. Sério, apenas três das mais básicas notas musicais. Quando comecei a querer gravar esses registros com o auxílio da tecnologia de hoje, peguei estes três acordes e trabalhei em cima de diferentes linhas e frases de guitarra. E, com isso, em momento algum da música eu executo os acordes cheios. Mas sim estas frases que consegui criar pela primeira vez em uma canção. Um pouquinho de distorção, uma levada de bateria e um baixo marcante transformaram totalmente a obra. O que era um simples violão tocando três acordes, agora é uma música composta com o pouco de conhecimento que tenho. E claro, merecia uma nova letra. Escrevi estas palavras em abril de 2015, dentro do ônibus que me leva de casa ao trabalho, de segunda a sexta. Sim, fácil assim. Em duas viagens estava tudo pronto. Falo da experiência de andar nos Campos do Quiriri. Meu primeiro contato com a região foi em 2004, mirando seus campos infinitos e suas trilhas vacilantes. Mas o que mais me marcou foi uma caminhada que fiz por lá em abril de 2014. Impossível registrar somente com imagens. Precisava descrevê-la ao meu modo. E aí está:

OS CAMPOS DO QUIRIRI

(Pepe Volpão)

Sob o céu azul andei o dia inteiro

Sob o céu estrelado preparei meu leito Não é o fim da linha nem o fim do mundo O diabo perdeu as botas O vento fez a curva Tudo tem motivo

Nem sempre o melhor caminho é linha reta

Todos querem a certeza de estar na trilha certa Eu carrego comigo tudo que é preciso Vontade, coragem e canivete suíço Nenhum desperdício Tudo tem motivo

Um dia qualquer

Quando quiser acordar antes do sol nascer

Preparo um café o mais forte que puder Pra encarar o que o dia tem pra oferecer

No desafio proposto, doze quilos e dois dias

Sem espaço na mochila pra lembranças vazias Eu carrego comigo tudo que é preciso O diabo perdeu as botas O vento fez a curva Tudo tem motivo

Um dia qualquer

Quando quiser acordar antes do sol nascer

Preparo um café o mais forte que puder Pra encarar o que o dia tem pra oferecer

A noite chegando As horas passando, parar pra ver o entardecer Preparo o jantar, se achegue pra cá Me abraça forte agora antes da gente dormir

Os Campos do Quiriri pela cãmera de Diocir Lopes, camarada montanhista que conheci naquelas bandas. Na foto, eu e a Ana Barbara à frente da turma que cruzava os campos do Quiriri. Abril 2014.


Originally published at www.georgevolpao.com.br.

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