“GERAÇÃO TOMBAMENTO”: A JUVENTUDE NA BUSCA PELA REPRESENTATIVIDADE

Com raízes e influências nas décadas passadas, não podemos dizer que a “Geração Tombamento” é um movimento atual, mas uma manifestação que vem trazendo inovações na forma de se fazer política através do empoderamento estético da juventude negra, principalmente.

“Tombamento” é um termo que caracteriza as novas formas de organização dessa juventude negra que hoje constrói linguagens de resistência e tem se tornado referência em todo o país. Esta onda de empoderamento tem impacto da política e na produção cultural, com a criação de movimentos auto-organizados como marchas e festas que resgatam e atualizam a concepção do baile afro, muito comum no Brasil nos anos 80 e 90.

Além deles, as mulheres e indivíduos pertencentes ao grupo LGBT também têm seu espaço no coletivo, afinal, a geração é uma organização dos que se entendem por “excluídos” e que querem se manifestar e lutar por seus direitos na sociedade racista, machista e homofóbica em que vivemos hoje.

Os integrantes, em sua maioria, acreditam na estética apresentada pelo Afro-Futurismo, movimento artístico que idealiza um mundo pós-racial e nos debates acerca do fenômeno nomeado de “Afrontamento” ou “Afrotombamento”, onde negros passam a assumir sua identidade racial buscando características históricas e transformando-as em uma identificação independente e questionadora — através de atributos africanos, referências musicais e intervenções de ideais do “Mandamento Black”, de Gerson King Combo, por exemplo.

Hoje, essa juventude quer mostrar que o tombamento não está em conflitos entre a polícia e eles em um cenário de crime, mas em negros entrando para a universidade, ocupando lugares políticos e assumindo o cabelo como ele é.

A realidade é que o único objetivo desses jovens, que exibem muita cor, brilho e até pinturas na hora de se vestir, é a conquista de igualdade em diversos espaços, dentro e fora da militância, nas redes sociais e nas periferias. E para isso, é necessário realizar o processo de conscientização de forma que cada um se empodere diante de sua classe, raça, gênero ou sexualidade, compreendendo-se como um indivíduo igual e pertencente a sociedade.

// Fontes de pesquisa: https://www.geledes.org.br| http://blogueirasnegras.org