A maldição e bênção em Zygmunt Bauman

O que mais me encanta em Zygmunt Bauman, é a maneira de se expressar, muito por se tratar de uma abordagem direta, dinâmica, sem as verborragias normais que é costumeiro ver em acadêmicos. Ele trás uma definição bem mundana em sua abordagem análoga do mundo, os pressupostos para entender seu raciocínio é alcançável a qualquer um que se disponha a acompanhar seu raciocínio, permitindo um diálogo real.

Mesmo assim, acredito que muitos tem uma leitura pessimista romantizada de Bauman, porque a metáfora do líquido é para simplificar a analogia do por quê muita coisa está do jeito que se apresenta hoje e para marcar a diferença de conceitos entre a modernidade e a pós-modernidade, onde a modernidade é tratada como sólida por ainda existirem bases para tudo, para a religião, a política, a família, a maneira de pensar, tudo é muito marcado e a cultura é muito marcada pela região também.

A partir das quebras de fronteiras, com o avião, das quebras de barreiras, com a globalização, todas as bases começam a ruir e é nesse ponto que tudo se torna líquido. Essa coisa do diferente estar por todo o lado, dos conceitos singulares e rígidos perderem espaço por termos vários conceitos diferentes para abordar a mesma questão, isso dá um nó na cabeça das pessoas, a falta de referência, ou melhor, o excesso de referência!

Bauman não condena a forma que se vive, ele reflete sobre ela, ele mesmo diz que nosso tempo é uma mistura de maldição e bênção, muito mais no sentido de “alertar” a todos que devemos nos preocupar com a condição humana, o indivíduo parece superficial porque vive apavorado pela ideia de se tornar obsoleto, sendo assim, ele tem de estar constantemente se atualizando, dispender muito tempo em alguma coisa que não é trend topic não é viável, pois o indivíduo pode se tornar dispensável.

Esse comportamento passa a ser levado para tudo, para os relacionamentos, para o trabalho, para a religião, e assim por diante. Hoje o indivíduo está condenado pela falta do espírito crítico.

Nas obras de Bauman não há uma receita fácil de como resolver todos os problemas do mundo, há um questionar, um convite ao criticismo do que nos cerca, e isso faz dele para mim um dos maiores pensadores.

Dentro das universidades, especialmente na área de humanas, é comum ver as pessoas se “filiando” a um pensamento e passando a viver dentro daquela vila, onde você precisa aprender todos os conceitos que o prefeito da vila definiu e a partir deles ler o mundo! Simples e seguro assim!

Já em Bauman, penso que ele realmente se propõe ao raciocínio filosófico, onde precisamos entender o mundo e a forma como o mundo nos mostra as coisas para então podermos conceituar a partir delas. Assim, é possível desenvolver um raciocínio crítico das nossas questões, o que não quer dizer que encontraremos todas as respostas do mundo, mas ao menos, poderemos nos colocar como pessoas dentro desse mundo, como uma forma de “desalienação”, ao invés de continuarmos como indivíduos sendo empurrados para a beira do precipício.

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