Para que (e a quem) serve o atual jornalismo de games brasileiro?
Felipe Pepe
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Excelente artigo, Felipe! Concordo muito com uma parte do que está sendo dito, especialmente em termos da avaliação da imprensa atual, mas eu fundamentalmente discordo que a imprensa é capaz de criar um público mais crítico no vácuo. A realidade do mercado brasileiro é inexorável na limitação: os produtos são muito tributados e caros. Pro jogador ter esse refinamento, é preciso JOGAR, mas cada vez menos pessoas jogam (vi pesquisa recente hoje: 42% dos que assistem e-sports não jogam. Vale destacar que muitos desses jogos populares de e-sports são gratuitos ou bem baratos).

A minha formação de videogame é crítica, mas puramente intuitiva. Jogo desde 1994, tive a oportunidade financeira (pelos meus pais e, na última década, por mim mesmo) de me manter nesse caríssimo hobby. Mas o mercado não é isso, o mercado retrai ano a ano, tanto que as cifras de vendas, que já foram motivo de orgulho e disputas acirradas entre empresas no passado, hoje são escondidas atrás de porcentagens sem referencial em relatórios (Aquelas matérias meio “O mercado cresceu 18% em relação à retração de 23% que vem registrando nos últimos 10 anos”).

Outro ponto que considero até instigante, mas anacrônico, é o próprio conceito dos gatekeepers. Não sei a sua idade, mas a gente parece estar na mesma geração, mais ou menos (tenho 27 anos), e esse modelo me parece, lamentavelmente, ultrapassado, ainda que fosse vigente há uns 15 anos atrás. Hoje, um youtuber fraquíssimo como o Zangado tem mais voz que um portal com 10 jornalistas em tempo integral (deixando de lado a qualidade da formação, tanto profissional quanto videogamística, desses jornalistas). Se eles não seguirem a rotina do SEO pra atrair cliques, a operação inteira desaba, se torna inviável.

Enfim, não vou me alongar mais, mas artigo bom é aquele que viabiliza discussão e, sob esse aspecto, você já fez mais aqui do que boa parte da imprensa brasileira.

Abraços!

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