Jornal, jornalistas, cibermeios, morte do jornal impresso, demissões

Gerson Luiz Melo Martins

As empresas jornalísticas, em todo mundo, atravessam um momento de crise estrutural. Se este fato acontece nos países desenvolvidos, a situação em países como o Brasil é mais agravante. Se as empresas tradicionais de jornalismo não se adaptarem aos novos tempos do jornalismo, estão fadadas a desaparecer. E com isso, desaparecem também dezenas de postos de trabalho para o jornalista profissional. Não se trata unicamente da atualização tecnológica, mas uma crise que perpassa a sustentabilidade financeira das empresas. Os investimentos ou as despesas com publicidade no jornalismo impresso minguam diariamente. O que ainda sustenta este tipo de publicidade é o poder político que veicula suas campanhas institucionais, publicam editais, balanços, publicidade oficial. Há algum tempo o modelo não se sustenta mais com vendas em banca ou assinaturas. E, de outro lado, os custos operacionais crescem todos os dias, seja nos reajustes salariais, seja na atualização tecnológica minimamente, pois mesmo no suporte papel é necessário que os computadores das redações estejam atualizados, que os equipamentos de captação de imagens sejam mais portáteis e com maior capacidade de armazenamento.

Profissionais de alta competência, experientes são demitidos sem que as empresas busquem eficiência

O lado trágico desta situação acontece nas dezenas de famílias dos profissionais que, na virada do dia, se encontram sem sua sustentação financeira. Profissionais de alta competência, experientes são demitidos sem que as empresas busquem eficiência. Os recursos humanos são considerados o maior patrimônio de uma instituição, de uma empresa. Em vez da dispensa dos profissionais, as empresas devem buscar a qualificação dos mesmos e tornar eficaz sua atividade. Sem qualquer dúvida, o jornalismo, nos próximos anos será 2.0, ou melhor, em poucos anos se tornará 3.0. E o que isso significa? Significa que, ou as empresas qualificam sua atividade e toda a estrutura que envolve seu objeto principal de trabalho, ou encerra suas atividades e libera espaço para empreendimentos e empreendedores mais qualificados.

Muitas empresas jornalísticas ainda dormem “em berço esplendido” no suporte papel até que percebam minguado recursos oriundos da publicidade e do poder político

Há mais de 20 anos se consolidou o jornalismo na internet no Brasil. As empresas jornalísticas, em geral, demoraram muitos anos para se adaptar ao novo modelo. No que tange às ferramentas tecnológicas, a evolução é muito rápida. Se demorar um pouco para se atualizar, será um atraso muitas vezes irrecuperável. Muitas empresas jornalísticas ainda dormem “em berço esplendido” no suporte papel até que percebam minguado recursos oriundos da publicidade e do poder político. No jornalismo, de modo especial (pois o jornalismo sempre foi intrinsecamente ligado à tecnologia), o “perder o bonde” da qualificação tecnológica é um suicídio. E quando se menciona qualificação tecnológica, é importante ressalvar, que não se trata unicamente de ter os computadores, celulares ou cibermeios de ultima geração! Se trata também de qualificação dos seus recursos humanos. De nada adianta ter um cibermeio com grandes e numerosos recursos tecnológicos se o conteúdo é precário, textos inadequados e incapacidade de produção jornalística. É preciso ter bons profissionais, não necessariamente novos, mas profissionais qualificados e um bom sistema de produção jornalística. A tecnologia está à disposição. E não é cara. Os jornalistas, de outro lado, têm ampla condições de qualificação e atualização profissional. É preciso que as empresas jornalísticas criem oportunidades e tenham a sensibilidade para compreender este novo universo do processo de produção e difusão jornalística.

O ciberjornalismo é uma janela ampla de possibilidades e é o futuro da atividade.

Talentos são dispensados em nome de uma economia equivocada, pode-se dizer mesmo “burra”! No entanto, se a empresa jornalística perdeu o rumo, se desatualizou, dificilmente conseguirá se recuperar. O ciberjornalismo é uma janela ampla de possibilidades e é o futuro da atividade. A transformação do “jornal”, neste caso, a implementação do cibermeio jornalístico é o caminho que vai garantir o lugar importante em que se constitui a atividade em mais de 200 anos.

Jornalista e pesquisador do PPGCOM e Ciberjor UFMS

gerson.martins@ufms.br