Transformações do jornalismo e a demissão de jornalistas

Gerson Luiz Mello Martins

O jornalismo impresso experimenta, nestes tempos de crise fabricada e de transformações decorrentes dos avanços tecnológicos, um declínio do modelo de negócios. A população que habitualmente assinava ou comprava o jornal impresso está envelhecida ou nem está mais por aqui. O jornal perdeu fatia significativa de leitores. Essa mesma população começou, nos últimos anos, a ter sua conta de Facebook que facilitou o acesso às informações, às notícias. De outro lado, os jornais impressos, no seu permanente vínculo com o poder político e sobrevivendo às expensas do mesmo, não se preocupou em investir num jornalismo de qualidade. Os jornais impressos se tornaram multiplicadores dos relises dos governos. Com a crise do estado brasileiro, verbas foram cortadas e a mídia em geral sofreu um grande impacto nas receitas publicitárias. Philip Meyer, em seu livro “Os jornais vão desaparecer”, decretou a morte do jornalismo impresso na próxima década.

Há grandes equívocos na produção da notícia.

O modelo de negócios para o jornalismo em geral está no investimento no ciberjornalismo, principalmente no acesso pelos dispositivos móveis, celulares e tablets. O modelo de jornalismo impresso tem alto custo, no que tange a produção e impressão do jornal. Papel é muito caro, máquinas rotativas também. Inúmeros jornais tem grandes parques gráficos para tiragens de 30.000 exemplares e na realidade atual não imprimem mais do que 5.000. Enquanto isso, a produção em ciberjornalismo tem custos cada vez mais baratos. Alguns anos atrás um sistema de publicação de jornalismo na internet tinha um custo de cerca de 20.000 reais, hoje esses sistemas podem ser criados ao custo de 5.000. No caso do ciberjornalismo, se requer investimento em tecnologia, a longo prazo, o que dilui custos. O custo maior, neste caso investimento, acontece na qualificação dos profissionais jornalistas que, em princípio, não estão preparados para a produção de notícias na internet. Há grandes equívocos na produção da notícia. Se escreve, produz como se fosse para a plataforma do impresso. Os recursos de internet exigem uma narrativa jornalística muito diferente.

Os jornais impressos tradicionais devem migrar para a internet, qualificar seus cibermeios, contratar jornalistas qualificados ou qualificar os profissionais que estão nas redações.

Os jornais impressos tradicionais devem migrar para a internet, qualificar seus cibermeios, contratar jornalistas qualificados ou qualificar os profissionais que estão nas redações. Além disso, devem usufruir dos diversos sistemas de distribuição, como Facebook, Twitter e outras possibilidades, inclusive Snapchat para que sua audiência aumente e obtenha receitas publicitárias significativas. Estudos recentes da Federação Nacional das Agências de Propaganda demonstram que a receita publicitária na internet cresce a passos largos a cada dia. As possibilidades tecnológicas dos anúncios se multiplicam periodicamente. Além disso, há um grande futuro para os dispositivos móveis, notadamente nos celulares, que estão presentes no cotidiano das pessoas. A evolução tecnológica possibilitará que os preços desses aparelhos sejam cada vez mais acessíveis. E a partir dos diferentes serviços agregados, como operações bancárias, venda de alimentos, serviços de transporte, entre inúmeros outros, o acesso à internet pelos aparelhos móveis cresce diariamente. E é preciso estar atento para isso e ajustar os cibermeios, adequar os cibermeios para essa nova realidade.

O ciberjornalismo é a porta da sobrevivência e da qualificação do jornalismo.

Se o jornalismo impresso não se adequar, não repensar seu modelo de negócio, estará fadado à sua morte. O ciberjornalismo é a porta da sobrevivência e da qualificação do jornalismo. Notícias, informação será sempre um necessidade básica das pessoas. De alguma forma a pessoa, em algum momento, precisará de informação e de informação jornalística. É preciso, imediatamente, se conscientizar disso.

Jornalista e pesquisador do PPGCOM e Ciberjor UFMS

gerson.martins@ufms.br