Devora-me

Sinto como se pudesse ler sua alma.

A cada vez que me olha, percorrendo cada centímetro do meu corpo à mostra, posso sentir seu desejo em desbravar o que ainda se esconde sob a roupa.

Talvez não tenha percebido que sei como me olha, como me devora a cada vez que, fingindo estar distraída, olho pra outra direção só para te ver de relance, tentando disfarçar seus olhares a me despir. Talvez você simplesmente saiba que é exatamente isso que eu quero.

Nada impede que mãos escorregadias deslizem sobre cada pedaço de pele até meu sexo, molhado, sempre desejando, querendo todo seu corpo. Mas nossa conexão é quase quântica e precisa de tensão, precisa desse campo de desejo para ligar nossos corpos, precisa dessa vontade não comunicada.

Não ousaria dizer que é amor. Eu amo nossas conversas despretenciosas, mas cheias de intenções. Amo quando compartilhamos as coisas que gostamos. Isso é mais como vontade. Meu corpo tem vontade do seu, uma vontade insaciável.

Por isso, devora-me. Devora-me como se nunca mais fosse me ver, reconheça cada parte do meu corpo, estando ela ao alcance dos seus olhos ou não. Devora-me como só você faz, sem me invadir.

E, quando me tocar, nossos corpos já estarão em êxtase de tanta vontade e cada contato de pele será como se estivéssemos fazendo isso pela primeira vez, pois já somos só desejo. Percorre o meu corpo como quiser, pois já conhece cada detalhe dele. Não te guiaria, pois me inebrio sendo o objeto de sua descoberta.

Finalmente, depois de devorada por fora e sedenta de você, devora-me por dentro. Sacia minha alma que te deseja tanto quanto meu corpo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.