poema em tom de despedida

eu parto
como partem os corações 
e os navios que afundam
logo que deixam os portos

eu parto
como partem paredes
depois de terremotos sangrentos
e também parto
como partem os copos que caem
das mãos bêbadas dos desapaixonados

eu parto
como partem os ossos
dos mortos e dos corpos semivivos
que ousam repousar

finalmente,
eu parto
como todo mundo
afinal,
me fiz mortal ao nascer