torre de marfim

eu quero morrer
mas sem deixar de ser
o que sempre fui:

podre como lama
acumulada e seca
no canto da calçada:

morrer depois da chuva
queimado pelo sol
sem falar francês
ou saber beber

quero morrer sujo,
como sempre fui.
por isso rogo ao deus
que me esqueça
assim que eu deixar de ser
(vivo)

não me aborreças
nem por um instante

pois

quero morrer
como sempre fui:

na
imensidão