Medicina Personalizada: Microbiota como fator preditivo do efeito colateral da imunoterapia.

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Terapias utilizando anticorpos que bloqueiam moléculas importantes do sistema imunológico são, atualmente, as grandes promessas para o tratamento contra o câncer. São capazes de ativar (ou desbloquear) o sistema imune e direcionar uma resposta efetiva contra tumores. Esta estratégia terapêutica têm mostrado resultados surpreendentes em ensaios clínicos mais recentes. Entretanto, estas terapias podem ter efeitos colaterais perigosos em determinados pacientes.

Recentemente, um estudo conduzido por Pamer e Wolchok, no Memorial Sloan Kettering Cancer Center em New York, mostrou que a composição da microbiota intestinal pode prêver se um paciente irá desenvolver colite após o tratamento com ipilimumab, um anticorpo monoclonal que bloqueia o CTLA4, que é a recente promessa para a terapia contra o melanoma metastático.

Os autores obtiveram amostras de fezes de 34 pacientes com melanoma metastático e agruparam esses pacientes de acordo com o desenvolvimento ou não de colite após o tratamento com ipilimumab. Como parâmetro, o RNA 16S do ribossomo foi usado para sequenciar e determinar o perfil da microbiota nas amostras fecais. Em ambos os grupos, com e sem colite, os pacientes apresentavam uma flora microbiana semelhante antes do aparecimento da colite mediada por ipilimumab. No entanto, os pacientes que permaneceram sem colite tinham uma maior proporção de bactérias pertencentes ao filo Bacteroidetes. Especificamente, bactérias de três famílias do filo Bacteroidetes (Bacteroidaceae, Rikenellaceae e Barnesiellaceae) estavam mais abundantes nas fezes dos pacientes que não desenvolveram colite induzida por ipilimumab.

Para identificar quais vias metabólicas estavam alteradas, os pesquisadores fizeram um sequenciamento metagenômico tipo shotgun, que é usado para identificar vias metabólicas que pudessem estar associados com a ausência da colite. Os autores avaliaram 102 grupos bacterianos e descobriram que quatro grupos estavam alterados em pacientes com colite. Os módulos associados ao transporte de poliaminas e biossíntese de vitamina B estavam mais escassos em pacientes que desenvolveram colite. E utilizando algoritmos matematicos e calculos estatisticos, foi possivel prever quais pacientes desenvolveriam colite com 83% de precisão.

Em medicina personalizada, um dos desafios para os médicos é poder identificar quais pacientes que estão em risco de desenvolvimento dos efeitos colaterais prejudiciais. Este estudo sugere que estes quatro grupos bacterianos representam potenciais biomarcadores capazes de identificar pacientes que estão em risco de colite, após o tratamento ipilimumab. Além de mostrar que a microbiota intestinal é capaz de influenciar a eficácia de imunoterapia no câncer, pode também ajudar a prever o risco de desenvolvimento de efeitos colaterais destes tratamentos. Essa informação é de vital importância para melhorar a segurança de novas terapias.

Referência: Dubin K, Callahan MK, Ren B, Khanin R, Viale A, Ling L, No D, Gobourne A, Littmann E, Huttenhower C, Pamer EG, Wolchok JD. Intestinal microbiome analyses identify melanoma patients at risk for checkpoint-blockade-induced colitis. Nat Commun. 2016 Feb 2;7:10391.

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