A destruição silenciosa do seu potencial criativo.

O que destrói a criatividade é o senso do ridículo. — Confúcio
Uma professora primária estava seguindo os seus alunos de 6 anos numa aula de desenho. Uma menina sentada no fundo da classe completamente absorvida pelo seu trabalho chamou a sua atenção. A professora perguntou o que ela estava desenhando. A menina respondeu “estou fazendo um desenho de Deus”. A professora surpresa disse “Mas ninguém sabe como Deus se parece”. A menina respondeu: “eles saberão em um minuto.”
Essa estória abre o livro “O Elemento: como encontrar sua paixão muda tudo” de Ken Robinson e ilustra com muita propriedade, um dos lados mais sombrios de nossa sociedade. A destruição silenciosa do potencial criativo do ser humano.
Quando crianças somos altamente criativos. Criança não tem medo de errar. Porém, durante nosso processo de educação formal, somos praticamente forçados a uma reprogramação. Aprendemos que o importante é evitar os erros. E daí em diante, é ladeira abaixo. Sir Ken Robinson defende a seguinte tese:
Se você não estiver preparado para errar, você nunca vai fazer nada original.
O que percebo é que a criatividade é muito menos valorizada nas escolas que excelência acadêmica. Com o tempo, essas crianças, rapidamente se transformam em adultos e aprendem, com muita eficiência, a ter medo de errar. Abandonam sua criatividade. Nada de arriscar, por favor. E a consequência devastadora desse modelo, é um verdadeiro massacre coletivo onde, tanto a criatividade quanto os talentos individuais são literalmente destruídos.
Trabalhando com criatividade há mais de 20 anos, percebo o quão eficiente é esse sistema. Quando digo eficiente, estou me referindo à sua incrível capacidade de convencer, um bando de gente naturalmente criativa e talentosa, de que não são criativas. E o lado mais triste desta história, é que a maioria dessas pessoas, só não teve oportunidade de praticar aquilo de que realmente gostam de fazer. A constatação, é a de que muitos, ainda passam uma vida inteira sem saber qual é o seu verdadeiro talento. Independente da profissão.
Mas espera um pouco. Essa culpa não é só das escolas! Provavelmente sua família, também tem uma parcela bem grande da culpa. Quando crianças, a pergunta que mais nos fazem é: o que você vai ser quando crescer? Você vai ser médico? engenheiro? administrador de empresas? Artista nem pensar. Disso não dá pra viver!
E nós, pobres crianças acuadas, sem saber muito bem como decidir, acabamos decidindo nos transformar em qualquer coisa. Desde que esteja nos padrões do momento. Não raro, até nos esquecemos o que nos fez gostar de nossa profissão atual. No automático, deixamos de lado todas as nossas habilidades e virtudes criativas da infância, e escolhemos ser apenas “profissionais”, e sem nenhuma criatividade.
Mas Caaaalma. Ainda dá tempo. Você ainda quer voltar a ser criativo? A receita é simples. Deixe sua inteligência brincar. Se divertir. Na leveza suave e pura da infância adormecida, deixe sua criatividade despertar como brincadeira. Ser criativo é ser inteligente. E para ser inteligente, é só deixar sua criança interior despertar novamente. Sem medo, sem travas, sem o danado do senso do ridículo…exatamente como você era, naquela época em que quase já nem lembra mais.