Transformação pessoal

Como disse certa vez o filósofo francês Maurice Merleau-Ponty:

Só podemos definir uma verdade dentro de uma situação.

Gosto dessa colocação, pois ela nos provoca a refletir a respeito da influência dos “contextos” sobre nossa idéia de “realidade”. Mas o que é um contexto?

Contexto é o fruto da complexa relação que existe entre “algo” e, as características específicas que dão forma à situação única na qual esse “algo” se insere. Tem a ver com o fato de que só podemos analisar uma verdade dentro da situação em que ela ocorre.

Perceba por exemplo, que o contexto (ou ponto de vista se assim preferir) que escolhemos para observar nossas próprias vidas, possui um incrível poder de realizar as verdades que se apresentam para nós. Quando acordamos de mau humor, cansados ou descrentes por exemplo, tudo parece dar errado. Já, quando acordamos de bom humor, mais otimistas ou energizados, até as situações mais difíceis e complicadas parecem se atenuar.

Note o quão interessante é perceber que, o ambiente em que nossas mentes estão imersas modificam, de fato, a realidade em que vivemos. Note também, que diferente do que muitos ainda pensam, temos sim a oportunidade de modificar esses nossos contextos.

Peço então que, agora, você faça as seguintes reflexões:

Que contexto você anda escolhendo para sua própria vida?

Seu contexto é o de ser sempre uma vítima dos outros, ou você é daqueles que enfrenta até as mais difíceis situações?

Você é do tipo que “anda cansado de tanto lutar”, ou é daqueles que assumem a responsabilidade de mudar?

Você é dos que enxergam a vida como uma dura batalha, ou dos que a encaram como uma oportunidade para ser feliz?

Seja sincero. Você é capaz de perceber que os efeitos que anda sentindo, têm sua origem no tipo de pensamento que você tem habitualmente praticado? Ou, para ser mais preciso, no contexto que você mesmo anda construindo para suas verdades?

Você sente que é capaz de realizar, por conta própria, a transformação que deseja?

Se chegou até aqui, tenho a esperança de que esteja realmente disposto (ou disposta) a iniciar o seu próprio processo de transformação e, se assim for, a partir deste ponto pretendo ajudá-lo (ou ajudá-la) a atingir esse objetivo.

Para isso, peço que você concentre sua atenção nos seguintes pontos. (Leia cada um deles com muita calma e atenção e, depois disso, sugiro que releia-os novamente quantas vezes forem necessárias).

  1. A mente é a fonte realizadora de tudo o que ocorre em sua vida.
  2. A mente precisa de organização e clareza;
  3. Use as emoções a seu favor;
  4. Construa em você o hábito da auto-disciplina;

1. A mente é a fonte realizadora de tudo o que ocorre em sua vida.

Sua mente é o seu bem mais precioso e, mesmo ela estando o tempo todo com você, arrisco dizer que você ainda não acordou plenamente para todo o seu potencial. Não ter consciência disso não é, nem de perto um fato incomum, assim como não é incomum também imaginar que temos uma única mente quando, de fato, o que temos são duas mentes com características únicas, diferentes e complementares. Reconhecer e aceitar essa ideia de dualidade da mente é um passo importante para sedimentar as bases para sua capacidade de transformação pessoal.

Uma analogia que gosto de fazer para explicar melhor essa dualidade, é pensar na mente como um jardim. Nosso pensamento habitual ou nossa mente consciente, é o local onde são produzidas as sementes desse jardim. Já a mente subjetiva ou subconsciente, é a terra onde essas sementes irão florescer.

Visualize o seu subconsciente como uma camada de solo extremamente fértil e na qual brotarão todos os tipos de sementes que você ali plantar. Se em seu pensamento habitual você cultivar sementes de pensamento de paz, felicidade e prosperidade, sua mente subconsciente fará florescer em sua vida uma safra abundante e rica.

Disso tudo, o que vale a pena ressaltar é o fato de que a mente subconsciente não faz julgamentos sobre o que é certo ou errado. Se você pensar “Não serei capaz de fazer isso” ou “Não vou chegar a lugar nenhum na vida”, você estará impregnando seu subconsciente, sua terra fértil, com essas sementes de pensamentos negativos e ele (seu subconsciente) responderá de acordo com essas sugestões. Como dizia Joseph Murphy “a mente consciente é como um capitão na ponte de comando. É ela que dirige o navio enviando ordens aos homens na casa de máquinas. Estes, por sua vez, apenas controlam as caldeiras. Os que trabalham na casa de máquinas (a mente subconsciente) não sabem para onde estão indo, não julgam se a ordem está certa ou errada. Apenas seguem ordens. Acelerariam o navio ao encontro de uma rocha se o homem na ponte de comando (a mente consciente) desse essa instrução. Eles obedecem, porque é ele que está no comando e, justamente por isso, não questionam seu comandante: simplesmente cumprem suas ordens.”

Da mesma maneira, a mente subconsciente cumpre as ordens que recebe, baseada no que a mente consciente acredita e aceita como verdade. A mente subconsciente, não questiona nem as ordens, nem as bases em que estas ordens se apoiam. Se você continuar a dizer a si mesmo: “Não tenho dinheiro para isso” ou “Por enquanto não posso fazer aquilo”, pode ter certeza de que sua mente subconsciente vai seguir estas ordens. Você não vai obter o que deseja, e também não se dará conta de que foi você mesmo quem criou seus próprios obstáculos.

Pois é justamente esta a questão mais importante a ser tratada aqui. A medida que vamos crescendo, e por conta do contexto social ou familiar em que estamos inseridos, recebemos e aceitamos uma série de pré-conceitos que serão absorvidos pelo nosso subconsciente e, tidos como verdades absolutas, nele germinarão formando nossa visão de mundo e a base da maior parte das experiências que viveremos durante a vida.

O que estou enfatizando aqui é que, em muitos casos, a dificuldade que enfrentamos em um processo de transformação pessoal, mesmo quando a mente está aparentemente aberta a novas ideias, é a troca das sementes que estão germinando em nosso subconsciente. O tempo e a dificuldade que você enfrentará neste processo, dependerão diretamente do quanto suas novas ideias colidem com suas ideias antigas. E da disposição que você terá para enfrentá-las. Você só obterá os frutos destas novas sementes, quando o seu solo fértil, seu subconsciente, estiver plenamente preenchido delas, e as sementes antigas tiverem sido realmente substituídas pelas novas.

Entretanto, é essencial que você se lembre também de que, assim como em uma plantação verdadeira, é necessário que você revolva o solo e se certifique de que não permaneceram escondidas, nenhuma semente ou raiz de sua antiga lavoura, caso contrário, sua nova plantação poderá enfrentar grandes dificuldades para germinar livremente.

2. A mente precisa de organização e Clareza.

Para que uma mente seja capaz de realizar qualquer coisa, a própria mente precisa se organizar. Ela necessita, antes de tudo, compreender com muita clareza e precisão aquilo que pretende materializar. Perceba que um sonho nada mais é do que um fluxo de energia e, como tal, possui contornos fluidos e muitas vezes imprecisos, o que logicamente dificulta o seu processo de realização. Justamente por isso, para que um sonho adquira sua condição de materialidade, é necessário que o pensamento que da forma a ele, também seja elaborado com muita precisão. Qualquer que seja o sonho que você pretende realizar, e uso aqui a palavra sonho para ressaltar a importância da dimensão emocional de um desejo, é preciso que antes, você seja capaz de desenhá-lo detalhadamente na mente para assim, enxergá-lo com grande nitidez. Neste sentido, é importante que você comece construindo seus contornos com a ajuda de alguns fatos mais concretos como nomes, locais, datas, números ou quantidades. Construa a sua visão de futuro com elementos que materializem esses acontecimentos. Pense o quanto, o quando, o como e o onde com grande exatidão. Você precisa compreender, que ideias claras criam campos energéticos precisos enquanto ideias confusas e dispersas, também criarão, da mesma forma, campos energéticos confusos e dispersos. Quando o desafio é ter a habilidade de realizar sonhos, o foco e a precisão do pensamento realmente importam.

3. Use as emoções a seu favor.

Poucas pessoas realmente se dão conta da influência das emoções em nossas vidas. Mais do que isso. Poucas são aquelas que as utilizam de maneira consciente, e com a finalidade de conquistar sucesso, riqueza, realização pessoal ou felicidade em suas próprias vidas. Neste contexto, gostaria de reforçar o fato de que você deve ser capaz de viver mentalmente a experiência de seu sonho no presente. Você deve fazer disso um exercício diário, com o objetivo de alimentar o seu fluxo de energia com esse padrão de energia desejado. Fazendo isso, você permitirá que suas emoções o ajudem a colocar o seu fluxo de energia em ressonância com os mesmos padrões de energia daquilo que você tanto deseja.

4. Construa em você o hábito da auto-disciplina.

Chegamos com isso ao quarto item da nossa lista. Algo que você deverá ser capaz de cultivar em você mesmo para lançar mão nesse caminho rumo à sua transformação: o hábito da auto-disciplina.

Dezenas de estudos já desenvolvidos ao longo das últimas décadas, mostram que a força de vontade e a auto-disciplina são sim os hábitos mais importantes de todos quando o assunto é o sucesso pessoal.

Num estudo publicado em 2005, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia analisando 164 alunos da oitava série e, medindo não só o seu QI, mas também outros fatores, inclusive quanta força de vontade e auto-disciplina esses alunos demonstravam, descobriram que aqueles com níveis mais altos de força de vontade tinham mais chances de tirar notas maiores nas aulas e de ser aceitos nas escolas mais seletivas. Faltavam menos, passavam menos tempo assistindo televisão e mais horas se dedicando aos estudos. “Os adolescentes com maior auto-disciplina superaram seus colegas mais impulsivos em todas as variáveis de desempenho acadêmico”, escreveram os pesquisadores. “A auto-disciplina previu o desempenho acadêmico de forma mais consistente que o QI. A auto-disciplina também previu quais deles melhorariam suas notas durante o ano letivo, enquanto o QI não previu (…) A auto-disciplina tem um efeito maior no desempenho acadêmico do que o talento intelectual” decretaram eles.

Ainda segundo esse mesmo estudo, o melhor modo de aumentar a força de vontade e de dar uma vantagem aos alunos, é transformá-la num hábito. O ponto ideal parece ser quando passamos a fazer essas coisas no automático, sem nos dar realmente conta disso. E, para que isso ocorra, duas coisas são fundamentais: a auto-disciplina e um ambiente favorável (contexto favorável).

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