2013. Primeiro dia após o clichê educacional de outubro. Dois alunos folheiam uma revista, Superinteressante, em busca de inspiração para produzir um conto. Um homem semi-nu, da seção de perfumes, aparece. O texto não saiu, mas a discussão envolvendo a possibilidade do modelo ter gostado de usar fio-dental para tirar a fotografia(e ter saído dos estúdios vestindo-o) foi impressionante.
Eu poderia ter usado o restante dos minutos que sobraram da minha aula para conversar sobre a necessidade de se importar com a volúpia alheia diante de experiências envolvendo orifícios. No entanto, recuei: não tenho culpa se os pais dessas pessoas não ensinaram o respeito pelo diferente, pelo Outro, a consideração.
Algum moralista poderia enfiar o dedo na minha cara agora e dizer que a mim caberia o papel de reprimir e remodelar as mentes doentias de meus alunos. Afinal, não poderia ser apenas mais um professor, afinal a mim foi confiada a missão divina, afinal a mim foi direcionada a camiseta bordada com os escritos EDUCADOR. Mas não.
Ninguém obriga o dentista a retirar os fiapos da barba mal feita. Muito menos parabenizam o técnico de enfermagem por ter que desengastalhar a agulha dos pelos ao aplicar a besetasil. Parem com isso. Se for pra me dar os parabéns, me desmarquem dos posts do facebook e comecem a prestar atenção na aula. Em silêncio.
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