Como o ocidente estragou o budismo

Se budismo fosse uma planta, poderíamos dizer que não se adaptou a nossa região. Não culpo a religião, mas o uso deturpado que a cultura ocidental fez dela, com pensamentos rasos e em próprio favor.

Falo especificamente de como o ocidente transformou o nome budismo, budas e monges em uma sopa. E nós, nos servimos de uma concha de sabedoria milenar, mas sem conhecer os ingredientes e como se prepara. Só queremos matar nossa fome com a uma sopa instantanea budista.

Se o que eu estou falando é mentira, sua rede social não deveria estar inundada de fotos de pôr do sol, meditação e monges com 5 linhas de instrução de como viver sua vida sabiamente. As vezes selfies e menções budistas. Pode ser pior, apresentações de power point ou vídeos com transição lenta de slides. Sempre se creditando em budas, monges, provérbios milenares chineses e asiáticos e outros pedaços apropriados de uma cultura alheia. Não necessariamente falsos, mas fora do seu contexto cultural, histórico e de desenvolvimento.

Qual o problema de acreditar nestes pensamentos de sabedoria? Acreditamos sem aprender. É como acreditar em alguma fórmula, mas não saber como usá-la — quem nunca? É tirar 10 da prova, mas ser burro. É colar na vida. Como dizia um professor de matemática: fórmula é a síntese de anos de pesquisas e suor. Na matemática expressamos com simbolos. No budismo ou outra filosofia, é o resultado do exercício de pensar.

Entender uma historinha, um provérbio, uma lição de moral, estamos entendo a representação deste pensamento — e não o pensamento em sí. Para entender o pensamento é preciso pensar. E pensar requer mais que instantâneos 3 minutos.

Acreditar sem aprender pode te colocar em uma zona de “conforto de conhecimento” muito perigosa, pois você acredita saber de alguma coisa e não sabe. Ou como esta geração nomeia: burro motivado. Tomar decisões erradas baseado no que pensa que sabe. Ou, o que é muito pior e corriqueiro: repetir e disseminar como verdade uma interpretação errada sua. Por sua vez, alcançará ouvido ou olhos de outra pessoa, que terá outros 3 minutos de entendimento instantaneo para matar a fome dela. Cada um alimenta sua fome, mas ninguém aprende nada.

Estes foram meus 3 minutos de reflexão quando ouvi, mais que uma vez, na semana passada passada a frase: “o segredo é o equilibrio”.

O equilibrio como segredo, não seria uma falácia?

Ênfase na semana passada, quando pesquisas sérias afirmaram que bacon e carne embutida estão lado a lado com o cigarro na lista de potenciais cancerígenos. O que convenhamos, em 2015 não saber que, no mínimo, estes alimentos fazem mal e o uso abusivo pode comprometer sua saúde, a notícia não deveria ser tão chocante assim. Enfim. A internet inteira parou.

Cada vez que alguém sugeria evitar comer estes produtos, tomava-se uma concha da sabedoria milenar: “Nada em equilibrio faz mal”. Afinal, se der uma “goglada” vai ver que buda sugere equilibrio, o caminho do meio e saúde e paz tem a ver com balancear bem sua vida e alimentos. E as fórmulas filosoficas são novamente utilizadas para satisfazer nosssa preguiça de pensar e para o desejo de nos satisfazer. Em nome do senso comum e sabedoria milenar.

“Nada em equilibrio faz mal”

Mas, arsenico e cabelo na comida, ninguém busca equilibrar! Apenas se evita ao máximo.

O budismo é todo baseado em harmonia, conexão, ciclos, tempo e evoluir através do aprendizado. O equilibrio não é o segredo, o segredo é o aprendizado.

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