Por que investidores estão aceitando títulos a juros negativos?

Faz sentido comprar um título que rende juros negativos? O que você responderia ao seu gerente de banco se ele te oferecesse uma carteira de investimentos que, ao fim de 12 meses, com certeza você resgataria menos do que investiu?

Se você pensa que não, certamente você pensaria duas vezes se fosse um investidor alemão, um pai de família japonês ou um assalariado na Grécia.

Essas três figuras têm em comum muito pouca coisa, claro. Surpreendentemente, é porque existem várias razões para se comprar um título de renda negativa! Acontece que, hoje, bancos centrais de vários países estão mantendo artificialmente as taxas assim.

Conheça, a seguir, as razões e os players por trás desse estranho panorama financeiro:

Europa e Japão

Muitas pessoas, durante os anos 80 e 90 vivenciaram intensa desorganização econômica no Brasil. Na iminência de um confisco de poupança, tal qual fez o ex­presidente F. Collor, você certamente investiria em títulos em títulos públicos da Inglaterra ou da Alemanha, se tivesse oportunidade.

Hoje, os países da zona do Euro e a Grã ­Bretanha, bem como o do Japão, possuem juntos cerca de R$3,5 trilhões de títulos públicos, muitos com previsão de resgate em dois ou três anos, com retorno abaixo de zero.

Por exemplo, recentemente o Reino Unido anunciou um pacote anticíclico que promete estimular a economia. Para isso, títulos do governo a vencer até 2020 precisam ser vendidos à média de ­0.1% de rendimento, com um pequeno desvio.

Quem está comprando

Evidentemente, a ausência de vantagens nesse tipo de investimento é clara. Mas se estão sendo comercializados, deve haver razões que os tornam plausíveis. Ao mesmo tempo, eles revelam uma curiosa realidade econômica.

  • Títulos nacionais são trocados pela moeda do país, correto? Logo, se o preço de tal moeda se valoriza diante do dólar, mais valiosos são seus títulos. Excelente! Em alguns casos, como o japonês, a estratégica atratividade dos seus títulos é alta devido ao equilíbrio de preço entre compra e venda de títulos, não pela sua taxa de juros.
  • Em segundo lugar há aqueles que, diante de um cenário de estagnação econômica, acreditam nesses papéis por resolverem o problema de guardar as economias, demonstrando até mesmo que estão dispostos a bancar essa pequena taxa negativa. Tal qual famílias de classe média, aposentados e servidores.
  • Por fim, os que compram por serem um ativo ofertado a um bom preço, pensando em uma possível valorização futura. Confidentes no histórico das instituições, em geral apostam na responsabilidade dos bancos centrais em melhorar esses valores no futuro.

Causas e consequências

É famosa a dinâmica entre poupança e consumo em casos como esse. A exemplo, o Japão há décadas é famoso por sua baixíssima taxa de juros e a alta taxa de poupança entre as famílias. Atualmente, países pertencentes a esta casta passam a ter a deflação como parâmetro.

Curiosamente, no Brasil temos situações parecidas com métodos totalmente opostos. Embora a taxa de juros do país seja alta, o rendimento real da poupança pode atingir níveis negativos, mas por causa da aceleração da inflação.

Na verdade, a queda do valor dos ativos contém um custo implícito, que é o de confiança nas decisões das instituições. A mesma confiança no histórico no passado gratificante dos ativos nacionais, estabilidade monetária etc, se torna desconfiança quando as decisões são muito intervencionistas.

Uma solução descentralizada

Logo, considera-­se que uma parte relevante do mercado fica descrente diante de engenharia sociais tão complexa. O cenário atual, como mencionado nos casos europeus e japonês, com a tendência espalhando­-se entre outras economias, estão dispostas a encarar uma realidade de resultados nunca antes testados.

O que será que vai acontecer? Essa pergunta permanece sem resposta. E é exatamente por isso que o volume de trocas de títulos vem caindo a cada manobra do governo.

Paralelamente, essa é uma entre muitas razões pela qual a adoção de criptomoedas, como o bitcoin, tem crescido como forma de investimento.

Embora a grande maioria dos players ainda acredite no sistema centralizado, a segurança ofertada pelo dinheiro digital tem mudado a percepção do valor de ativos emitidos por autoridades.

Em consequência, a melhor forma de demonstrar a anti­fragilidade de um sistema baseado em blockchain tem atraído olhares de quem está propenso a investir. Ao comparar as opções, hoje você tem algumas ­ as criptomoedas ­ imunes às decisões silenciosas dos bancos centrais.

E você, também usa o bitcoin como investimento? Ele funciona como alternativa às opções dos bancos e fundos de investimento? Deixe sua opinião nos comentários!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.