Demolidor é um programador

Eu tive essa revelação de que na verdade a história do Daredevil é a história de um programador.

Pra começar, Nelson & Murdock é uma startup. Fundada por dois amigos da faculdade que queriam mudar o mundo e não trabalhar pros outros. Não tem dinheiro e precisam comer o pão que o diabo amassou, dia após dia, pra se sustentarem. Suas motivações- consertar o sistema jogando pelas regras e ajudar os oprimidos- são nobres, mas o modelo de negócios, ainda em desenvolvimento, dá sinais de que não é muito rentável. Isso é OK, estão apenas tentando ganhar mercado nessa fase; ainda vão validar hipóteses, eventualmente pivotar ou perseverar, e chegar num modelo viável.

Logo no início, Karen Page se junta à startup. Ela é uma excelente Product Owner, tem um grande tato na lida com os clientes e muitos insights no desenvolvimento do produto. Uma grande adição ao talento desenvolvedor de Matt e Foggy.

Apesar de todas as dificuldades, a startup parece muito promissora. Mas um dos três guarda um segredo.

Matt vira noites fazendo hotfixes.

Ele acredita, mesmo, que as features que sua empresa desenvolve podem mudar o mundo. Mas se sente motivado a fazer consertos mais rápidos, implementações em curtíssimo prazo, para consertar injustiças flagrantes do mundo ao seu redor.

O problema é que isso começa a atrapalhar os sprints. E mantendo as jornadas de hotfixes em segredo, Matt dá a impressão aos seus sócios que está perdendo desempenho por puro desleixo.

A relação entre os sócios piora quando Matt está ausente nos conflitos com os grandes players do mercado- as grandes empresas de advocacia e a promotora local. Page e Nelson tem toda a capacidade de fazer o que é necessário, mas se sentem abandonados e sobrecarregados.

O ponto de ruptura chega quando Matt considera contratar um free-lancer para ajudar em seus hotfixes e ele escolhe Elektra Nachios, alguém que ele também conheceu na faculdade. Ela tem uma característica singular: gosta de eliminar bugs pelo meio mais radical, matar a feature.

Elektra começa a fazer pull-requests malucas e Matt se vê obrigado a se afastar cada vez mais do seu papel de desenvolvedor para microgerenciar e revisar os hotfixes dela. Além disso, aparece Frank Castle, com sua própria startup, que começa a concorrer com Nelson & Murdock, e também utilizando os mesmos métodos violentos de Elektra para conseguir resultados muito rápidos.

Sem dinheiro, sem uma quantidade interessante de clientes e nada atrativa para investidores, a startup deve fechar, como é o destino de milhares de startups todo ano.

Resta saber se Matt, Nelson e Page vão tentar empreender novamente ou vão se render ao sistema e levar suas bagagens de experiência para os grandes players.

Um acquihire viria a calhar.